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Urinoterapia: entenda os argumentos contra e a favor dessa prática

O alpinista Aron Ralston — que ficou famoso após prender o braço em uma rocha enquanto escalava um canyon em Wayne County — ingeriu sua própria urina para permanecer vivo, antes de decidir cortar o próprio braço para poder escapar. Esse foi um caso extremo, mas não é só em situações como essa que a urinoterapia é utilizada.

Para muitas pessoas pode parecer repugnante, mas para outras é considerado um tratamento sério. A urinoterapia existe a cerca de 5.000 anos. Ela foi descrita em uma das antigas escrituras hindus e era muito utilizada pelos egípcios e até mesmo por soldados durante a Segunda Guerra Mundial.

Neste artigo, analisamos o que é essa prática, como ela funciona e quais são os argumentos prós e contras a urinoterapia. Acompanhe e saiba mais!

O que é a urinoterapia?

A urinoterapia é uma prática de consumir ou utilizar a urina para fins medicinais. Ela é baseada no pensamento de que o xixi contém substâncias importantes para o corpo e, sendo assim, por que não utilizá-la. Esse tratamento está estabelecido há anos no oriente e chegou ao ocidente na época da ascensão do Império Romano.

Ela foi citada pela primeira vez no Damar Tantra, um dos mais antigos textos em sânscritos da cultura hindu. Segundo a escritura, massagear a pele com o xixi fresco era uma prática medicinal utilizada para curar praticamente qualquer doença, picada etc. Alguns adeptos subsequentes acreditavam que misturar a urina com alimentos, bebidas ou tinturas médicas poderia até mesmo curar o câncer.

Documentos médicos dos antigos egípcios, chineses e astecas também afirmam os benefícios da urinoterapia. O método se espalhou pela Índia e em seguida pelo resto da Ásia, chegando à Europa Ocidental por meio da ascensão do Império Romano, durante os anos 44 aC até 476 dC.

Hoje em dia, a urinoterapia continua a ser utilizado como tratamento na China, onde se estima que cerca de 3 milhões de pessoas bebem um copinho de xixi todos os dias em prol da saúde. Nos EUA, a prática também ficou famosa, depois que Madonna afirmou que urina nos próprios pés para curar pé de atleta. No Brasil, o lutador de MMA, Lyoto Machida, é o principal representante do método.

Como funciona a urinoterapia?

Para começar a praticar a urinoterapia, os terapeutas recomendam que o paciente comece uma dieta crua e vegetariana por, pelo menos, quinze dias antes de começar a ingestão. À medida que o corpo é preparado, no que diz respeito aos nutrientes que potencializarão o efeito terapêutico da urina, a pessoa começa a consumir o seu xixi.

Como muitos pacientes passam por um período de resistência, muitos trabalham com a substituição do termo urina por “água da vida”. Assim, essa é uma das etapas do processo de convencimento de que o xixi é um soro pessoal que recompõe as perdas nutricionais sofridas pelo organismo.

Existem seis modalidades iniciais que podem ser combinadas de diferentes formas, a depender dos objetivos e especificidade de cada caso:

  1. beber a primeira urina do dia. Neste caso, a ingestão só acontece uma vez por dia;
  2. consumir a urina várias vezes ao dia, seguindo suas próprias vontades de consumo líquido;
  3. fazer um jejum completo, nutrindo o corpo apenas com água e a urina;
  4. ungir o corpo inteiro com a urina, principalmente: rosto, cabeça, pescoço e pés;
  5. embebecer panos com urina e fazer compressas em regiões acometidas por tumores, bolhas, feridas, picadas, queimaduras e inchaços;
  6. tomar banhos de imersão em água misturada à urina que foi eliminada nas últimas 8 a 9 horas.

Qual a opinião de especialistas sobre urinoterapia?

Pelos praticantes, o consumo da urina é tido como um tratamento medicinal e o seu uso de diferentes formas é visto como um remédio capaz de curar qualquer coisa, desde resfriados até AIDS. Nas livrarias, existem uma ampla literatura a favor da urinoterapia.

O problema, no entanto, é que não existem estudos científicos rigorosos que atestem ou expliquem os benefícios da urinoterapia. Na realidade, não há nenhuma sugestão sequer de que essas vantagens existem. A American Cancer Society inclusive já se manifestou expressando que não concorda com tais benefícios para cura do câncer:

“Existem alguns relatos individuais de que a urinoterapia pode impedir o crescimento de um câncer. No entanto, as evidências científicas disponíveis não embasam os relatos de que a urina ou a ureia usadas de qualquer forma podem ajudar pacientes com câncer. Dois pequenos estudos, feitos durante os anos 1980, concluíram que a ureia não causa a diminuição dos tumores de pacientes com câncer no fígado”.

A especialista da British Dietic Association, Helen Andrews concorda “não há benefícios para a saúde em beber sua própria urina e, na verdade, eu acredito que isso poderia ser bastante prejudicial. Cada vez que você colocá-la para dentro, ela será expelida numa forma mais concentrada e isso não é bom para saúde, e pode até mesmo danificar alguns dos seus órgãos”, disse ela em entrevista ao The Independent.

Por que atletas utilizam a urinoterapia?

Mesmo sem comprovação científica, muitos praticam a urinoterapia. É o caso do lutador de MMA, Lyoto Machida. Ele explica que durante a sua fase de pré-campeonato, ele consome todos os dias a sua primeira urina, como forma de aumentar o seu desempenho. Segundo, o ex-campeão, ele acredita que a urina libera vários hormônios importantes e quando é refiltrada o corpo consegue absorver um pouco mais.

“Lógico que tem coisas ruins também, mas o organismo as descarta e reabsorve as boas. É uma questão cultural, meu avô fazia no Japão, meu pai também faz”, explica Lyoto, em uma entrevista por telefone ao SPORTV.COM.

A urinoterapia é uma prática que foi transmitida ao longo da família Machida, desde o tempo do avô do lutador, eles já consumiam a urina como método preventivo. Lyoto explica também que, durante a Segunda Guerra Mundial, um dos generais das tropas japonesas indicou a urinoterapia como remédio, já que medicamentos estavam em falta.

Dessa forma, apesar de muito utilizada, principalmente em países orientais, a urinoterapia ainda não tem comprovações científicas. No entanto, aqueles que praticam essa terapia afirmam ver os resultados, como é o caso de Lyoto que diz ter um melhor aproveitamento durante os treinos.

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