Entenda o que é a dismorfia muscular

No mundo atual, é crescente a preocupação com o corpo e a aparência, e essa tendência tem motivado as pessoas na busca por uma alimentação mais saudável e pela prática de atividades físicas para mudar seu aspecto corporal.

O que, de maneira geral, poderia ser encarado como uma tendência positiva, em alguns casos, no entanto, esconde um transtorno com consequências bastante preocupantes: a dismorfia muscular.

Considerada um tipo de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), ela se manifesta em indivíduos que enxergam seu corpo de maneira distorcida, desenvolvendo um comportamento obsessivo em relação à autoimagem. Mesmo estando fortes e musculosos, essa condição faz com que eles se enxerguem fracos e franzinos.

Esse problema pode acarretar uma série de consequências negativas para essas pessoas, como prejuízo nas relações pessoais, distúrbios psicológicos e até mesmo graves consequências físicas para o organismo.

Para saber mais sobre o que é dismorfia muscular, as causas e sintomas desse mal, como evitá-lo e as principais formas de tratamento, continue a leitura deste post!

O que é a dismorfia muscular?

A dismorfia muscular (DM), também conhecida popularmente como vigorexia, caracteriza-se como uma preocupação excessiva com a imagem corporal e a hipertrofia do corpo, gerando problemas como insegurança, dificuldades de convívio social e baixa autoestima.

Ela acontece a partir de uma distorção da imagem que o indivíduo tem de si mesmo. Nesse cenário, a quantidade de músculos e o seu aspecto físico nunca são suficientes. Mesmo apresentando baixo percentual de gordura corporal e hipertrofia considerável do corpo, a pessoa é incapaz de se enxergar dessa maneira. É como se o Arnold Schwarzenegger, no auge do seu condicionamento físico, visse a si mesmo como fraco e pequeno.

Essa constante preocupação com a aparência e insatisfação física faz com que quem sofre dessa síndrome se submeta a sessões exaustivas e anormais de treinos intensos, a dietas radicais e ao uso abusivo de esteroides anabólicos androgênicos (EAA) em busca de uma aparência que dificilmente os satisfará.

A dismorfia muscular é considerada uma manifestação do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) e é muito comum em praticantes de musculação. Esses atletas ultrapassam a barreira saudável da prática de exercícios físicos e tornam isso uma verdadeira obsessão, com vários prejuízos para sua saúde e relações interpessoais.

Quais são os principais sintomas dessa condição?

Preocupar-se com sua aparência e buscar a hipertrofia, por si só, não só não são doenças, como são atitudes bastante positivas se tomadas com moderação. Até mesmo com atletas bodybuilders, a procura por um corpo escultural não apresenta grandes consequências negativas para a saúde do indivíduo. O grande problema é quando essa busca se torna uma obsessão, capaz de prejudicar a vida dessas pessoas.

Não há mal nenhum em se olhar no espelho e querer mais alguns músculos. Como dissemos, a questão é quando você já atingiu um patamar considerável de hipertrofia e ainda se considera pequeno e fraco demais. É essa distorção de autoimagem que pode provocar uma condição que fará com que a pessoa ultrapasse todos os limites em busca de uma satisfação irreal.

Qual é a diferença entre quem tem dismorfia e um atleta normal?

Para se ter uma ideia, estudos estimam que um praticante normal de musculação preocupa-se cerca de 40 minutos diários com sua aparência física. Já com relação àqueles que sofrem de dismorfia muscular, o período dedicado a essa atividade é de uma média de 5 horas. Ou seja, até 7,5 vezes mais tempo.

Essas pessoas chegam, ainda, a olhar-se na frente do espelho dezenas de vezes por dia procurando novos ganhos musculares. A busca pela hipertrofia consome a maior parte do seu dia, mesmo no daquelas que não são fisiculturistas e praticam exercícios como uma ocupação secundária em suas vidas.

Não é raro que as pessoas que sofram de dismorfia muscular evitem situações em que tenham que mostrar o seu corpo, por se sentirem inseguras com sua aparência física, mesmo já tendo atingido uma forma invejável. Elas também cancelam compromissos sociais para poder estender por horas a fio seus treinos e evitar momentos em que possam sair da dieta.

As sessões intermináveis de treino e o desrespeito ao tempo de recuperação do organismo entre uma prática e outra, frequentemente, levam-nas a sofrer lesões musculares e outros problemas, como a insônia.

Além disso, usam e abusam de esteroides, como uma forma de encurtar o caminho ao corpo ― irreal ― desejado, levando a uma série de problemas físicos e psiquiátricos. Entre eles estão o aumento do risco de desenvolvimento de doenças do coração, tumores hepáticos, hipertensão arterial, além de problemas ligados à alteração dos hormônios sexuais, como atrofia dos testículos e hipertrofia da próstata nos homens, e, nas mulheres, atrofia das mamas, hipertrofia do clitóris e alterações na voz.

Quais são os sintomas mais comuns da dismorfia muscular?

De forma geral, quem sofre de DM apresenta os seguintes sintomas:

  • Preocupação excessiva com a possibilidade de seu corpo não ser suficientemente forte e musculoso.
  • Prejuízo psicológico, social e em diversos outros aspectos da sua vida, causados pela preocupação obsessiva com a aparência. Por exemplo: término de relacionamentos, queda de desempenho nos estudos e no trabalho, reclusão social.
  • Desistência de atividades importantes do seu dia a dia, como trabalho, faculdade ou escola, encontros com família, amigos e parceira(o) e eventos sociais, devido a uma necessidade compulsiva de manter intactas suas rotinas de exercícios e dieta.
  • Evitamento de situações de exposição do seu corpo, como ida à praia, à     piscina, ou até mesmo como tirar a roupa em frente a uma(um) parceira(o) sexual, por causa da insatisfação com sua aparência.
  • Opção pela prática em excesso de atividade física, dietas radicais e uso de substâncias nocivas, independentemente das consequências negativas físicas e psicológicas que essas atitudes possam causar.

Quais são as principais causas desse problema?

Algumas pesquisas com grupos focais têm apontado que a dismorfia muscular é mais comum em pessoas do sexo masculino, praticantes de musculação e na faixa de 18-24 anos. Apesar disso, acredita-se que tenha crescido a manifestação da doença em mulheres, principalmente após o aumento da popularidade de modelos fisiculturistas do sexo feminino.

Estudos apontam para um risco particularmente elevado da manifestação de DM em atletas de bodybuilding. Estima-se que 10% dos levantadores de peso apresentem a condição, enquanto que esse número chega a 84% dos fisiculturistas que participam de competições.

Especialistas acreditam que uma série de fatores possa desencadear esse problema, sendo que fatores culturais, sociais e ambientais costumam representar um importante papel nesse processo.

Existe, principalmente na sociedade ocidental, um forte apelo ao corpo masculino musculoso. É possível, por exemplo, ver essa tendência na representação dos heróis de quadrinhos nas adaptações televisivas e cinematográficas, nos filmes de ação e nas listas dos homens considerados mais sexy e desejáveis.

Toda essa conjuntura exerce uma forte pressão para que os homens busquem a hipertrofia como uma forma de aceitação e reafirmação masculina social. Se antes a insatisfação corporal atingia principalmente as mulheres, hoje ela se manifesta em todos.

Vamos falar sobre dismorfia muscular e uso de esteroides anabolizantes?

Pesquisas demonstraram uma correlação positiva entre a manifestação da dismorfia muscular e o uso de esteroides anabolizantes. Em um grupo de 9 indivíduos com DM, 4 deles apresentaram a condição após o uso desse tipo de substância.

É comum observar nesses grupos o uso abusivo de esteroides como uma maneira de atingir a forma desejada e abreviar o sofrimento para isso, na expectativa de uma fórmula mágica. Além de não existir solução instantânea para a hipertrofia e os riscos dessa prática serem ignorados por esses atletas, dificilmente essa seria a solução para o seu problema, que está muito menos ligado ao seu corpo e muito mais à autopercepção.

É possível que a dismorfia esteja associada a outras condições, como transtornos alimentares, de ansiedade e obsessivos compulsivos. Dessa forma, quem sofre desse mal, normalmente, desenvolve uma relação obsessiva e compulsiva com os exercícios físicos, a dieta com objetivos de hipertrofia e o uso de esteroides.

É observado ainda nesses casos sintomas de abstinência na ausência da utilização desse tipo de substância.

Qual a diferença entre a dismorfia muscular e a dismorfia corporal?

Na primeira vez em que foi descrita, a dismorfia muscular foi chamada de anorexia nervosa reversa, para ser depois denominada como vigorexia e, então, dismorfia muscular.

Essa condição guarda algumas similaridades com o chamado Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), conhecido popularmente como dismorfia corporal, e pode ser considerada uma espécie de variedade desse problema.

Ambos são distúrbios que promovem uma distorção no modo como uma pessoa se vê, gerando uma interpretação de sua autoimagem diferente da realidade. As pessoas que sofrem dessas condições criam preocupações irracionais com supostas imperfeições de sua aparência e acabam desenvolvendo uma obsessão por um padrão corporal ilusório, acreditando que somente assim poderão se realizar.

A grande diferença é que na dismorfia corporal o indivíduo normalmente se preocupa com áreas e aspectos específicos de sua aparência, como o formato do nariz ou o tamanho do quadril. Já na modalidade muscular, há um incômodo em relação a todo o corpo, acreditando-se que ele não é musculoso o suficiente, ao ponto de atrapalhar suas atividades cotidianas em busca de reverter essa situação.

Ambas são condições que causam muito sofrimento às pessoas que as enfrentam e precisam de ajuda profissional para serem superadas.

Quais são os tratamentos para a dismorfia muscular?

Dificilmente, indivíduos que sofrem de dismorfia muscular buscam ajuda. Isso acontece comumente devido à dificuldade de perceberem que estão passando por um problema real e ao receio de admitirem que precisam de ajuda.

A busca por tratamento adequado é essencial para que essas pessoas retornem à sua rotina, livrem-se das compulsões advindas desse distúrbio e possam ter uma relação saudável com a prática de atividades físicas e uma vida normal.

Como essa é uma condição recentemente identificada e estudada pela ciência, ainda carece de uma descrição sistemática de tratamento. No entanto, isso não deve ser, de forma alguma, motivo para não procurar ajuda. O profissional médico vai diagnosticar o problema, as possíveis causas para o surgimento dessa condição e a melhor forma de superá-la.

A terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, pode ser uma importante aliada na identificação de padrões distorcidos de imagem criados pelo indivíduo e no tratamento das compulsões relacionadas aos exercícios, à dieta e ao uso de esteroides. Dessa forma, procurar ajuda sempre é a melhor solução.

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