Periodização do treino: entenda o que é e qual a sua importância

A periodização do treino é fundamental para quem busca a evolução constante do corpo, tanto no caso dos que procuram a hipertrofia quanto para atletas que precisam atingir o seu auge quando vão disputar competições. 

É uma situação que já aconteceu com muita gente: depois de meses ou até anos de treino pesado, o corpo alcança um platô que parece impossível de ser superado e os resultados estão estagnados. Mesmo com uma combinação de dieta rigorosa, descanso disciplinado e exercícios puxados, a evolução parece ter chegado em um limite.

Com a periodização do treino, é possível evitar esse tipo de problema e garantir o desenvolvimento do corpo no longo prazo. Neste artigo, vamos explicar melhor o que é a periodização, para que serve e como ela pode ser feita da maneira correta. Leia mais!

O que é a periodização do treino?

A periodização é a organização do treinamento em um calendário com variações nos estímulos ao corpo com o objetivo de evitar que a adaptação natural do organismo humano impeça o desenvolvimento na musculação e em outras práticas físicas.

E isso não é o mesmo que apenas variar os aparelhos e exercícios ao longo do tempo. A periodização envolve criar rotinas em ciclos que impedem que o corpo “se acostume” com o treinamento e continue se desenvolvendo.

A periodização é algo planejado pelo profissional que orienta o desenvolvimento do atleta, geralmente com base em modelos consolidados que foram desenvolvidos por cientistas da área de educação física.

Por que manter o treino por muito tempo é ruim?

A adaptação do corpo humano é algo impressionante. Se nos primeiros dias na academia de musculação os praticantes se queixam de algumas dores e desconfortos, mesmo se estiverem seguindo um treinamento ideal, a tendência é que em poucas semanas os músculos estejam completamente adaptados àqueles estímulos e realizando os exercícios sem dificuldade.

Quando isso acontece, o usual é intensificar a atividade com mais cargas ou repetições, de acordo com os objetivos do treinamento. Porém, apenas essa progressão linear não é o bastante para o pleno desenvolvimento do corpo. A tendência é que, após alguns meses, o ritmo de evolução seja reduzido até eventualmente parar.

Além disso, sem a variação de estímulos o atleta tende a intensificar apenas cargas e repetições, o que aumenta as chances de lesões e do overtraining — esgotamento causado pelo excesso de treino. Ou seja, colocar mais pesos nos halteres não é uma fórmula mágica de evolução, mas sim um caminho para se machucar treinando.

Ao intercalar períodos de treinamento com exercícios diferentes e intensidades variadas, o atleta sempre oferece ao corpo estímulos novos, o que força a adaptação em dimensões diferentes.

Quais os principais formas de periodização utilizadas?

Existem relatos de periodização de treinamento desde a Grécia Antiga, com métodos desenvolvidos de forma empírica, pela tentativa e erro. Porém, ao fim do século XIX e no começo do século XX novos métodos de periodização mais avançados começaram a surgir, com destaque para a pesquisa do cientista russo Lev Pavlovitch Matveev nos anos 50, que é uma referência para os modelos modernos de periodização.

No modelo clássico de Matveev, um macrociclo de treinamento é dividido em três mesociclos: período de preparação, período de competição e período de transição. Na preparação, o atleta treina até atingir uma condição física adequada, aprimorando força e resistência, além de habilidades específicas de cada esporte.

Já o período de competição é quando o atleta atingirá o seu auge, com uma certa estabilização dos resultados para que ele performe em alto nível durante toda essa etapa. A ideia é que esse pico seja um momento extremo, que permitirá alcançar o melhor desempenho possível.

Por fim, o período de transição é a recuperação do corpo com treinamentos regenerativos de menor intensidade.

Similar ao modelo clássico, o modelo modular de Vorobjev é uma variação com ênfase em treinamentos específicos para os objetivos do atleta, reduzindo a intensidade no desenvolvimento de habilidades gerais de força e resistência.

Outra variação do modelo de Matveev é o modelo pendular, sugerido pelos cientistas russos Arosiev e Kalinin. Nesse sistema, não existem três grandes períodos, mas sim pequenos microciclos alternados que permitem uma evolução regular e uma condição competitiva por todo macrociclos.

O sistema pendular é utilizado por muitos atletas que precisam competir por quase todo ano. O contraponto aqui é que a chance de estabilização de resultados é maior.

E, por fim, o modelo por blocos, proposto por Yuri Verkhoshanski, considerava que a periodização tradicional era inadequada para o calendário esportivo moderno. Nesse sistema, os blocos são ciclos que trabalham de forma temática as características físicas, técnicas e táticas dos atletas.

Esses blocos não são isolados: eles se sobrepõem na transição, o que permite que o atleta aproveite os ganhos do treino anterior.

Como fazer a periodização do treino de maneira correta?

Para realizar a periodização do treino, a recomendação é sempre contar com o suporte de um profissional de educação física que compreenda as demandas do atleta e os momentos em que ele deve atingir picos de performance para competir.

Dependendo dos objetivos e do calendário de competições do atleta, pode ser mais ou menos interessante optar por um ou outro modelo de periodização. Algumas pessoas, por diversas razões fisiológicas, alcançam picos de desempenho em relativamente pouco tempo, o que pode impactar a escolha e adaptação do modelo.

Além disso, lesões ou competições especialmente exigentes também podem demandar variações e ajustes nos tempos de transição e descanso.

Não existe uma fórmula de periodização perfeita que funcione para qualquer um. Cada corpo e cada modalidade pede detalhes específicos e, a medida que o atleta se desenvolve, pode ser necessário mudar o planejamento e alterar as etapas previstas no calendário.

O mais importante é entender que, para quebrar o platô e continuar se desenvolvendo, é fundamental que exista uma variação de estímulos e ciclos e, claro, avaliações constantes para medir os resultados alcançados pelo treinamento.

E agora que você já sabe a importância da periodização do treino, aproveite para aprender por que você deve treinar seu músculo e não seu ego: conheça 5 cuidados para evitar lesões na musculação.