Lesão no ombro: entenda por que acontece e saiba como evitá-la na musculação

Não é difícil conhecer alguém que já tenha se lesionado durante a prática de algum esporte ou durante treinos comuns na academia.

As famosas contusões, luxações, torções, distensões musculares e fraturas podem ter diversas causas, desde negligência e excesso de vontade por parte do atleta, até distúrbios patológicos. Grande parte das lesões são sentidas na região lombar, no joelho e nos ombros.

O post de hoje é dedicado à região dos ombros. Vamos tratar das principais causas, quais são os sinais e o que acontece depois de uma lesão no ombro. Depois, selecionamos o que você deve e não deve fazer durante os treinos para evitá-la. Quer saber mais? É só continuar a leitura do post!

O que caracteriza a lesão no ombro?

É possível afirmar que as lesões nos ombros são as mais comuns entre praticantes de musculação. A complexidade da região e as funções que ela desempenha podem ajudar a explicar.

O ombro é uma das articulações mais móveis, na verdade, ele é formado por duas articulações distintas, que trabalham em conjunto com músculos — entre eles: peitoral maior, trapézio, deltoide e grande dorsal, que, respectivamente, permitem os movimentos de adução, elevação da escápula, elevação e abdução dos braços e rotação. E são três ossos envolvidos: a escápula, o úmero — osso do braço —, e a clavícula.

Geralmente, os movimentos que envolvem a região mobilizam vários músculos ao mesmo tempo, até para atividades mais simples, e é isso que faz com que a área seja tão propícia às lesões. Sem contar que o ombro, além de demonstrar mobilidade e certa instabilidade, resultante da plasticidade do complexo, consegue exercer muita força quando é solicitado.

As lesões em praticantes de atividades físicas, normalmente, são resultados de movimentos repetitivos, realizados de forma excessiva e sem adequação postural, acima da altura da cabeça e dos ombros, entretanto, simples funções do dia a dia podem desencadear lesões na região, por exemplo, lavar pratos, uso de computadores e erguer objetos pesados.

Por que ela acontece?

É difícil estabelecer uma causa mais comum, considerando que existem diversos motivos para sentir dores nos ombros.

Para quem pratica musculação, treinos funcionais e crossfit, os traumatismos que tiram parcialmente ou totalmente a função da região são causados por excesso de carga, que prejudicam a execução mais correta do movimento, além de que, mesmo que o músculo consiga fazer o exercício, o excesso projetado nas articulações é danoso a longo prazo.

A falta ou a insuficiência dos exercícios de aquecimento também é fator para lesões, considerando que os movimentos para aquecer preparam os músculos e tendões para a atividade em seguida. Assim, os aquecimentos, não só para os ombros, evitam as lesões por estimularem a contração e o relaxamento muscular, além de elevar um pouco a frequência cardíaca. Esses exercícios devem ser sem cargas e com baixa intensidade.

Outra causa muito comum é o treinamento em excesso, que é, basicamente, o overuse da região. O que acontece com o excesso de uso é que microtraumas surgem nos tecidos, com isso as lesões, que à princípio são pequenas e imperceptíveis, vão se acumulando e tornam-se mais graves, resultando em dores. O overuse está relacionado à intensidade dos treinos, ao número de repetições dentro das séries e à duração do treino.

Em conjunto com os fatores já citados, a ausência de um período de descanso entre os treinos dos membros superiores é causa famosa desse tipo de lesão. Se o músculo e os outros componentes, não têm tempo suficiente para regenerar as condições normais dos tecidos, o resultado pode ser quadros de overtraining e lesões bem graves.

A má postura e a técnica ruim são as últimas causas mais comuns, tendo em vista que, quando o movimento é realizado sem acompanhamento ou supervisão correta, a tendência é que não haja a ativação dos locais certos e que outras regiões sejam mobilizadas para compensar a falta de força para executar o movimento.

Os problemas mecânicos são só algumas das causas. Desgaste natural dos tendões e da articulação devido ao envelhecimento, doenças cardíacas e doenças crônicas também podem levar aos mesmos quadros.

Quais são os sintomas mais comuns?

Sem dúvida, a dor nos ombros ou nas regiões próximas — como braços, trapézio e pescoço — é o principal sintoma. É comum que as dores apareçam de forma gradativa.

Dores noturnas, dores ao se deitar em cima do ombro, dor ao levantar o braço e dor que irradia até parte do braço são as queixas mais recorrentes. Apesar de menos relatado, a perda de força para executar certos movimentos, principalmente acima da linha dos ombros, também são sintomas para quadros de lesões na articulação.

Quais são as lesões mais frequentes?

As complicações também são muitas, mas separamos as 3 lesões mais comuns. Confira:

1. Síndrome do Impacto e Tendinite

É uma inflamação, causada por esforços exagerados e repetitivos em exercícios de peito e ombro, uma vez que eles recrutam justamente os músculos da parte interna. O principal sintoma é a dor forte, em único ponto, acompanhado da perda de força para erguer o braço acima da cabeça e para voltar o braço à posição normal.

O manguito rotador é um conjunto de músculos que são vulneráveis a irritações (impactos repetitivos) e, quando lesados, podem evoluir até um rompimento.

Por isso, o quadro é descrito em fases ou estágios. O primeiro estágio é um edema e hemorragia leves e reversíveis, enquanto o segundo estágio já apresenta um quadro de tendinite e fibrose irreversível e o terceiro resultam em lesões e alterações na articulação.

O tratamento nas primeiras fases pode ser mais fácil, incluindo uso medicações anti-inflamatórias e fisioterapia, com o objetivo de fortalecer a região e diminuir as dores.

2. Ruptura do Manguito Rotador

A ruptura do tendão é o resultado final da inflamação, chamada de síndrome do impacto. Diferente da tendinite, o quadro é bem mais grave e a recuperação não é tão simples porque o tendão não cicatriza por meios convencionais e, em alguns casos, cirurgias são a única saída.

Entretanto, como a ruptura também é gradual, somente casos bem graves são resolvidos com cirurgias. Geralmente, lesões até 50% do tendão ainda são acompanhadas com os métodos convencionais.

3. Bursite

Bursa é uma bolsa com líquido que, resumidamente, está entre um músculo ou tendão e um osso. O objetivo é reduzir o atrito entre as duas superfícies.

Quando inflamada, a doença está relacionada também à síndrome do impacto e a dor, a dificuldade em realizar movimento, inchaços e vermelhidão são os primeiros sinais. O tratamento também deve ser feito com medicações e fisioterapia, indicadas pelos profissionais da área.

4. Luxação

Em termos médicos, luxações são a perda do contato articular, ou seja, a separação de dois ossos que ficavam em contato por meio de uma superfície deslizante. Existem, na verdade, alguns tipos de luxações que são mais comuns em quem pratica musculação. Na grande maioria dos casos são provocados por traumas ocorridos durante um exercício, principalmente de levantamento acima da cabeça.

O principal sintoma é a dor, que costuma bem forte, e é possível notar até certa deformidade na região dos ombros. O primeiro passo é colocar o ombro no lugar, ou seja, retornar à posição original, o que é uma manobra extremamente dolorosa. Além disso, as luxações traumáticas podem ter consequências muito graves.

Como evitar lesão no ombro?

Antes de qualquer coisa, para fazer qualquer atividade física é preciso estar apto para a realização de todos os exercícios propostos. No caso da musculação, é essencial uma avaliação com médicos para garantir que está tudo em ordem para a prática do treino.

O segundo passo é ter um profissional de educação física para orientar e acompanhar os exercícios, garantindo que a execução de cada movimento esteja certo e que a evolução seja constante.

Durante o treino, vale a pena ter em mente tudo aquilo que pode ser causa de lesões nos ombros. Fique atento:

  • siga a orientação do personal e não utilize cargas maiores do que você consegue levantar;
  • lembre-se da postura, não só do movimento do braço e do ombro; garanta que a lombar, joelhos, pés e pescoço estejam alinhados e mantenha durante todo o exercício — aproveite os espelhos da academia e confira se está fazendo corretamente;
  • siga a cadência correta, ou seja, não faça repetições muito rapidamente;
  • dê o tempo certo entre as séries e repetições, não é indicado nem fazer tudo muito rápido nem exagerar no descanso;
  • tenha boas horas de sono;
  • garanta a frequência nos treinos para conseguir condicionamento físico;
  • tenha acompanhamento nutricional: a alimentação correta é mais um fator essencial para garantir a recuperação e para suprir as carências nutricionais que permitem a prática física;
  • não se esqueça dos aquecimentos momentos antes da musculação.

Por fim, caso você tenha qualquer desconforto durante o treino ou depois, não deixe de informar seu treinador e consulte um especialista da área para ter um diagnóstico correto e tratar qualquer problema o quanto antes.

E aí? O que achou do post? Agora que você já aprendeu tudo sobre a lesão no ombro, que tal saber mais dicas e práticas sobre o treinamento de ombros e membros superiores? Não deixe de ler nosso artigo 10 dicas de treino de membros superiores!