Precisamos conversar sobre depressão e alimentação

Há alguns anos a depressão vem sendo considerada o “mal do século”. No Brasil, a doença atinge 5,8% da população — valor acima da média global de 4,4%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Para além dos fatores intrínsecos a cada indivíduo, a alimentação e o estilo de vida têm sido considerados determinantes na prevenção da doença.

Apesar de a saúde mental ser um tema cada vez mais abordado, ainda existe muita desinformação a respeito da depressão e alimentação. Isso se deve ao fato de as doenças mentais serem um tabu muito grande na sociedade. Por isso, muitas pessoas tentam “fugir” do assunto e associam os sintomas a outros problemas simples.

Assim, para desmitificar o assunto e combater a desinformação, neste artigo explicaremos o que é a depressão e qual a sua relação com a alimentação. Continue a leitura e saiba mais!

O que é a depressão?

A depressão é uma doença crônica mental que provoca mudanças na disposição, comportamento, pensamentos e saúde física de um indivíduo. É a principal causa de incapacidade no mundo, segundo a OMS, e a maior causa de mortes em pessoas com idade entre 15 e 29 anos, sendo que mulheres são mais afetadas do que homens. O Brasil é o país com o maior número de casos de depressão da América Latina.

Os principais sintomas da depressão são: tristeza constante, falta de energia, mudanças de humor, ansiedade, perda de interesse por atividades que normalmente a pessoa gostava, baixa autoestima, alteração de sono e apetite. Algo que é preciso entender é que o sentimento de tristeza é normal em momentos adversos da vida, mas quando ele está presente na maior parte do tempo (durante duas semanas, pelo menos) pode ser um sinal de depressão.

Mas não se preocupe, esse transtorno tem tratamento. O mais comum é o acompanhamento psicológico e terapêutico. Em alguns casos pode ser indicado o uso de alguma medicação. Uma alternativa para quem não quer fazer uso de medicação, devido aos efeitos colaterais, é o tratamento alternativo baseado na alimentação.

Cada vez mais estudos e pesquisas têm comprovado uma forte relação entre depressão e alimentação. Eles identificaram que a deficiência nutricional está ligada a desordens mentais. Assim, a falta de ácido graxo ômega-3, vitaminas do complexo B, minerais e aminoácidos é frequentemente percebida em pacientes com depressão.

No entanto, já foi comprovado que uma dieta rica em ômega-3 pode ser efetiva na diminuição dos sintomas da depressão. Além disso, a vantagem do tratamento nutricional é que ele também traz benefícios para qualidade de vida dos pacientes. No próximo tópico explicaremos mais sobre essa relação e tratamento. Acompanhe!

Qual a relação entre depressão e alimentação?

A depressão é uma doença séria e altamente incapacitante que se manifesta por meio de múltiplos episódios, podendo até mesmo levar à morte, em seus casos mais extremos. Essa doença atinge um número cada vez maior de pessoas. Mas um fato que não é muito falado é que a nutrição tem um papel fundamental não apenas na promoção da saúde, mas também na prevenção e tratamento dessa morbidade.

Um corpo nutricionalmente saudável e equilibrado é mais resistente e menos suscetível a doenças, uma vez que a alimentação impacta numa maior produção de serotonina, hormônio da felicidade e do bem-estar. Para a produção dessa substância, é preciso a ação de outros elementos que agem na sua síntese, tais como: triptofano, magnésio, cálcio, vitamina B6 e ácido fólico.

Alimentos que contribuem para prevenção da depressão

O triptofano está presente em diversos alimentos, mas principalmente em frutas: melancia, abacate, mamão, banana, tangerina e limão. O ideal, segundo a OMS, é a ingestão de três a cinco porções de frutas por dia. Elas podem ser consumidas na forma de vitaminas, sucos ou in natura mesmo. Apenas evite as frutas em calda, pois elas são cheias de produtos químicos.

As amêndoas, castanha-do-pará e nozes são ricas em selênio; esse é um forte agente antioxidante que atua também na melhoria dos sintomas da depressão. Ele contribui para a redução do estresse. As quantidades recomendadas são de duas a três unidades de castanha ou cinco unidades de nozes, ou ainda 10 a 12 amêndoas.

Os alimentos de origem láctea, tais como leite e iogurte desnatado, são excelentes fontes de cálcio. Esse mineral ajuda a reduzir a tensão e auxilia na inibição, controle do nervosismo e irritabilidade. A quantidade indicada varia; cada 200 ml de leite contém aproximadamente 240 mg de cálcio. Crianças devem consumir pelo menos 500 mg de cálcio ao dia, adolescentes em torno de 1300 mg e adultos e idosos de 1000 a 1200 mg.

Há também outros alimentos que são ricos em cálcio. Um copo de leite contém a mesma quantidade desse nutriente que 320 g de brócolis, 275 g de couve, 240 g de iogurte ou 30 g de queijo branco. Ou seja, diversos alimentos para você incluir na sua dieta.

Os ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 são os preferidos do sistema nervoso. Eles desempenham funções únicas, importantes e insubstituíveis para o funcionamento do cérebro. É possível consumir esse nutriente por meio de alimentos como peixe, mas também por meio da suplementação.

Qual é o poder dos suplementos para a depressão?

O consumo de suplementos é uma excelente forma de suprir a necessidade de nutrientes. Muitas vezes, apenas com a alimentação alguns indivíduos não conseguem oferecer ao organismo uma dieta equilibrada e completa. Neste caso, o uso de suplementos pode ajudar a complementar a alimentação, mas é importante conversar com um nutricionista primeiro, para que ele avalie quais são as necessidades de cada corpo.

Como o exercício físico pode ajudar no combate à depressão?

Além disso, uma rotina de exercícios físicos também contribui para prevenção da depressão. A atividade física libera no cérebro endorfinas, que proporcionam uma sensação de bem-estar, paz e tranquilidade. Essas substâncias são neuromediadores ligados ao sentimento de felicidade e prazer. Sem contar que a prática regular é eficaz no combate ao stress e ansiedade, pois descontrai o corpo e ativa o sistema imunológico.

Como vimos, existe sim uma relação entre depressão e alimentação. O tratamento nutricional é uma opção mais saudável para quem sofre dessa doença. Ele tem uma importante vantagem de não causar efeitos colaterais negativos. No entanto, essa terapia não costuma ser tão indicada quanto o uso de medicamentos. Por isso, se você sofre de depressão, não deixe de perguntar sobre essa opção para o seu médico.

Para conhecer outros aspectos relacionados à alimentação, leia o nosso artigo “Cansaço, apatia, indisposição: fatores ligados à dieta” e entenda mais sobre o assunto!