Doença celíaca e intolerância ao glúten: como manter a qualidade de vida?

A doença celíaca ainda é novidade para muitas pessoas. Apesar de ser comum lermos em rótulos que certos alimentos contêm glúten ou não, também não entendemos muito bem o que essa substância e seus efeitos para o corpo.

Só que, mesmo não sabendo o que a doenças celíaca e a intolerância ao glúten significam de verdade, existem muitos conteúdos divulgados na internet, especialmente nas redes sociais, com informações erradas e que podem prejudicar não só quem tem a doença, mas também a população em geral.

Considerando isso, montamos este post com as informações mais importantes sobre o assunto e com as dúvidas mais comuns. Vamos explicar a diferença entre a doença celíaca e a intolerância ao glúten, as dificuldades de quem tem a doença e o que fazer para ter uma vida saudável. Por isso, não deixe de ler o artigo!

Doença celíaca

A doença celíaca atinge por volta de 1% da população mundial e, resumidamente, é uma doença autoimune que afeta o intestino delgado de indivíduos geneticamente predispostos. O quadro é agravado pelo consumo de alimentos que têm o glúten.

As próprias células de defesa atacam as células da parede interna do intestino e provocam um processo inflamatório, que resulta na atrofia das vilosidades intestinais. As vilosidades são pequenas “dobras” que aumentam a superfície de contato entre o tecido e os nutrientes, fazendo com que o intestino absorva mais nutrientes.

O primeiro resultado da inflamação é a diminuição da absorção dos nutrientes, seguido de sintomas como: diarreia, perda de peso, anemia, prisão de ventre, sensação de estufamento, cólica e desconforto abdominal.

Os primeiros indicativos podem surgir ainda na infância, só que, muitas vezes, são relacionados a outras doenças. Na fase adulta, esses sintomas ainda podem persistir e dores eventuais podem ser traços dessa enfermidade. Mas a doença também pode ser assintomática, podendo desenvolver quadros mais graves decorrentes do não tratamento.

O glúten, por sua vez, é uma proteína naturalmente encontrada em cereais — como o centeio, a cevada e o trigo, sendo que este último é o mais consumido. A proteína é um composto de cadeias de aminoácidos e é chamada de macromolécula, formada por outras proteínas.

Entre os compostos proteicos, a glutenina e a gliadina são os principais, sendo que a gliadina é associada a maioria dos efeitos negativos, no caso do trigo. Na cevada, o componente tóxico é a hordeína, enquanto na aveia é a avenina e no centeio, a secalina.

O curioso do glúten é que ele é uma molécula insolúvel e quando misturada à água, se torna semelhante à cola. Isso é o que dá sabor agradável e a consistência mastigável de muitos dos alimentos que conhecemos, portanto, ele é ingrediente de pães, torradas, sorvetes, bolachas, bolos, salgadinhos, barrinhas de cereais e embutidos, por exemplo.

Como a doença é atiçada pelo glúten, manter uma dieta sem essa proteína é a melhor medida para controlar os sinais e sintomas mais comuns, sem contar que pode ajudar a prevenir que doenças mais graves surgem.

O diagnóstico deve ser feito por um especialista médico e os exames mais comuns são a dosagem dos anticorpos contra o glúten no sangue e a biópsia do intestino.

Intolerância ao glúten

Apesar de também ter tudo a ver com o glúten, a intolerância ou sensibilidade ao glúten não tem os mesmos efeitos da doença celíaca. Enquanto a doença celíaca é a combinação de vários fatores, inclusive genéticos e ambientais, a sensibilidade a essa proteína é resultado da má digestão apenas, mas que pode sim ter efeitos muito incômodos.

Tecnicamente, o nome mais correto é sensibilidade não-celíaca e só pode ser diagnosticada quando a doença celíaca e a alergia ao trigo já foram descartadas como causas do desconforto.

A alergia ao trigo é um quadro muito confundido com a intolerância e com a doença celíaca, mas, na verdade, não passa de uma reação exagerada do sistema imunológico a uma proteína, como a gliadina do trigo. Os sintomas são clássicos de alergias, entre eles: rinite, asma e urticária.

Mesmo parecendo pouco usual — considerando que o glúten está presente em muitos dos alimentos que consumimos diariamente — a sensibilidade pode afetar até 5% da população mundial. Para que os sintomas desapareçam, evitar o consumo de glúten já traz bons resultados.

Pouco se sabe em relação ao que causa o desconforto e quais são os efeitos para a saúde. Muitas perguntas ainda devem ser respondidas. Por exemplo: quanto de glúten é tolerado pelo organismo? A intolerância é reversível ou não? Apenas seguir a dieta gluten-free adianta?

Dificuldades para as pessoas que têm o problema

No Brasil, as embalagens de alimentos devem ter avisos da presença do glúten e isso já facilita (e muito) a vida de quem tem tanto a doença celíaca quanto quem tem a sensibilidade ou a alergia ao trigo.

Só que não consumir glúten é mais difícil do que parece, considerando que restaurantes, hotéis, cafés e bares, geralmente, não oferecem opções para sem essa proteína.

Fora que comprar os alimentos e fazer a substituição em casa pode resultar em maiores gastos e mais calorias na dieta, além disso, a mudança repentina na alimentação, especialmente em adultos, pode desencadear problemas de saúde, considerando que as quantidades de macro e micronutrientes — proteínas, gorduras e carboidratos e vitaminas e minerais, respectivamente —, podem ser afetadas.

Como já mencionamos, no Brasil, as embalagens de alimentos precisam conter avisos sobre a presença de glúten e em janeiro deste ano, o Superior Tribunal de Justiça determinou que, além dos avisos, as embalagens têm de trazer informações sobre doença celíaca.

O glúten realmente faz falta no organismo

Bom, se o glúten faz mal para quem tem a doença ou a intolerância, o que acontece no corpo de quem não apresenta nenhum desses quadros? E o que dizer a respeito das dietas sem glúten que estão “em alta”?

Não há comprovações científicas de que o glúten faça mal para o organismo, salvo os casos já citados de sensibilidade e inflamação. É certo que o glúten é uma proteína vegetal de difícil digestão e que, por isso, ao cortar o consumo dela a pessoa possa se sentir menos inchada e pode até mesmo perder bons quilos na balança.

Mas não há consenso entre médicos e nutricionistas acerca dos malefícios ou dos benefícios da exclusão do glúten da dieta.

Alguns defendem que o glúten é uma proteína vegetal e, como as outras, oferece boas quantidade de aminoácidos. Além disso, os alimentos que contém essa proteína, geralmente, são boas fontes de energia (e carboidratos), principalmente os cereais integrais, considerados boas opções nas dietas. Mas ainda há profissionais que associam o glúten ao aumento do risco de ataques cardíacos e defendam a dieta gluten-free.

Sendo uma das tendências alimentares mais em alta no momento, parte por influência de pessoas famosas e artistas, cortar o glúten da alimentação pode sim fazer com que a pessoa emagreça. Entretanto, não é o glúten que faz essa diferença, e sim os alimentos que o contém.

Lembrando que pães, bolos, embutidos, salgadinhos, massas, queijos, alguns tipos de molho, xaropes, sopas e temperos industrializados, entre tantos outros alimentos, estão na lista daqueles que contém a proteína.

Basta observar parte dos alimentos listados para chegar à conclusão que grande parte deles são bem calóricos e, normalmente, não são os ideais para quem quer emagrecer. Na verdade, esse é o tipo de dieta que pode engordar.

Bom, enquanto não existem comprovações mais corretas sobre os benefícios de cortar de vez o glúten da dieta, a melhor opção é consultar profissionais da Nutrição para saber o que é ideal para o seu corpo e para o seu objetivo.

Alternativas para se manter saudável

Por fim, para aqueles que têm tanto a doença celíaca quanto a intolerância ao glúten o primeiro passo é contar com acompanhamento médico para observar a doença e estar de olho nas melhores opções.

Fora isso, aposte em comidas feitas em casa e em refeições naturais, assim você consegue controlar cada ingrediente da receita, deixando-a sem a proteína prejudicial, com mais sabor e do jeito que te agrada.

Alguns alimentos podem ser chaves para a mudança na dieta. Farinhas alternativas à do trigo — como tapioca, de arroz, de mandioca, de soja, de inhame e de amêndoa — podem são uma boa opção. Para quem malha, castanhas, amêndoas e outras oleaginosas devem ser mantidas e são ótimos alimentos para quem busca hipertrofia, por exemplo.

No quesito proteínas, as proteínas animais, carnes, ovos e peixes, e proteínas vegetais, como de soja e de arroz, também podem entrar no cardápio e ajudar tanto quem frequenta academia quanto quem não pratica exercícios físicos.

Quinoa, chia, linhaça e outras sementes são só mais algumas das alternativas para compor a alimentação e trazer todos os nutrientes necessários.

Papel da Suplementação Alimentar

No caso da suplementação para celíacos, o mais importante é estar atento às fórmulas e saber se não tem nenhum derivado do trigo no produto. Mas vale a pena contar com a ajuda de um nutricionista para achar os suplementos que vão fazer a diferença na hora de auxiliar funções orgânicas e a complementação da alimentação. Multivitamínicos, Whey Protein, BCAA e Albumina são só alguns dos nossos produtos que não contém glúten. Entre no site para conferir mais opções!

E aí? Tirou suas dúvidas do assunto e entendeu o que é a doença celíaca e a intolerância ao glúten? Se gostou do post, não se esqueça de compartilhar nas suas redes sociais e não deixe de acompanhar nosso blog!