Formação de paladar: entenda como ocorre e como mudá-lo

“Eu detesto salada!”. “Eu odeio comer fruta”. É muito comum ouvir essas frases, isso se você mesmo não anda dizendo essas palavras… Mas o fato de um alimento não agradar seu paladar não quer dizer que você nunca mais vá comê-lo, até porque deixar de ter uma alimentação saudável prejudica o corpo e a mente.

É aí que entra em jogo a reeducação do paladar: você pode se tornar a pessoa que ama salada e troca a sobremesa calórica por uma fruta. Sonho? Não, desde que você tenha força de vontade e coloque nossas dicas em prática. Saiba tudo!

Como funciona o paladar?

O paladar faz parte dos nossos cinco sentidos — visão, tato, olfato e audição são os outros. A língua é o principal órgão responsável por possibilitar sentir as texturas dos alimentos e os gostos doce, azedo, amargo, salgado e umami.

Esse último (o umami) é o quinto sabor e foi reconhecido por cientistas nos anos 2000, após serem identificados receptores específicos para aminoácido glutamato. O umami pode ser notado ao comer um queijo mais forte ou molho de soja, por exemplo. Após perceber o salgado do queijo, o umami vem na sequência.

É possível diferenciar o gosto doce, azedo ou qual for graças aos botões gustativos (ou papilas gustativas) que estão em nossas línguas. Esses botões são formados por células epiteliais com propriedades neurais, que possibilitam que você sinta os sabores assim que o alimento se dissolve na saliva.

Uma curiosidade: hoje, já se sabe que os botões gustativos estão espalhados por toda a língua. Antes, acreditava-se que áreas determinadas da língua eram responsáveis por cada um dos gostos.

Gosto ou sabor: tem diferença?

Tem, sim. O gosto faz referência apenas ao sentido do paladar, se o alimento é azedo, doce etc. Já o sabor é uma junção de dois sentidos, no caso, o paladar e o olfato, responsável pelo aroma.

Como ocorre a formação do paladar?

Você ainda estava na barriga da sua mãe, mas seu paladar já funcionava: estudos apontam que esse sentido começa a se formar a partir da 12a até a 14a semana. Por conta do líquido amniótico, os bebês já sentem sabores de doce, salgado, ácido e amargo. O umami é sentido depois de tomar o leite materno.

Quando esse processo se inicia?

Nem tudo acontece apenas na barriga da mãe: o paladar de uma criança vai se formando até os três anos de idade, em média. Por isso é tão importante que os pais ofereçam alimentos variados e saudáveis aos filhos.

Quanto mais alimentos eles experimentarem, menos vão fazer cara feia para o brócolis e sua turma no futuro, o que acarreta uma alimentação equilibrada. Oferecer variedade e chamar as crianças para preparar as refeições é um bom caminho para criar adultos que comem de tudo um pouco.

Insista!

Pesquisas indicam que é preciso tentar de oito a 10 vezes para que um alimento se torne natural na rotina das crianças. Porém, mesmo que esse alimento caia no gosto e no hábito de uma pessoa, o paladar acaba mudando, e isso você entende a seguir.

Quais fatores mudam o paladar ao longo do tempo?

Deixar de gostar ou passar a gostar de uma comida vai além de uma questão de paladar. A relação tem a ver com hábito, idade, cultura, memórias e até educação. Além do fato de os botões gustativos serem vulneráveis, você pode matá-los ao morder a língua ou ao tomar uma bebida muito quente. Mas não se desespere: eles tornam a nascer.

O hábito conta demais nesse sentido. Isso porque comidas industrializadas, com excesso de sódio, gordura e açúcar, são viciantes e podem alterar a química do cérebro, fazendo com que haja compulsão por esse tipo de alimento. Quanto mais você come gordura e açúcar, mais quer comer. Soa familiar? Sem drama, porque tem volta!

Como reeducar o paladar?

Comer batata frita com frequência vai fazer com que seu paladar não veja muita graça em uma folha de alface fresca. Normal. A parte boa é que os botões gustativos são educáveis e adaptáveis, e seu gosto pode ser revertido com uma pitada de esforço. Em até 15 dias, é possível acostumar-se a novos sabores — e mais saudáveis! Algumas dicas ajudam nessa fase:

Esqueça os itens ricos em sal e açúcar

Bolacha recheada? Não, obrigado. Salgadinhos, miojo e salsicha? Menos ainda. O refrigerante deve ser trocado por água, água saborizada ou sucos sem açúcar. O ideal é nem ter os itens “proibidos” em casa, prefira um carrinho de supermercado com alimentos integrais e naturais.

Esforce-se no começo

Programe-se e prepare as refeições com antecedência. Se você almoça em restaurante self-service, preencha seu prato com muita salada. Sobremesas? Vá de frutas com um fiozinho de mel.

Redescubra sabores

Para adoçar um suco, prefira mel, tome puro ou experimente adoçantes mais saudáveis, como xilitol e estévia. Para temperar a comida, vá de ervas frescas ou secas (tomilho, manjericão, cheiro-verde, orégano e cia.), azeite e nada de molhos prontos. O sal nem deve ficar à mesa: lembre-se de que o ideal é ingerir menos de cinco gramas de sal ao dia.

Coma com calma e sem distrações

A técnica se chama mindful eating. É só deixar o celular de lado, desligar a tevê e focar seu prato. O momento da refeição é ideal para sentir o sabor de cada alimento. Comer saudável é prazeroso, como você vai redescobrir.

Quais os benefícios de reeducar o paladar?

Quando você treina seu paladar para ser mais saudável, sua saúde e qualidade de vida ganham muito. É possível evitar ou controlar problemas como colesterol alto, hipertensão, prisão de ventre, gastrite e até desnutrição.

As consequências? Fica mais fácil equilibrar seu peso; pele, cabelo e unhas se tornam mais saudáveis e você ganha em energia para tudo, inclusive para se esforçar mais nos treinos.

As duas semanas para se acostumar a novos sabores não são nada perto de todos os ganhos. Não espere mais para reeducar seu paladar!

A formação do paladar começa ainda durante a gestação, mas tem outros momentos importantes durante a primeira infância. A boa notícia é que é possível se acostumar com sabores mais saudáveis. Para tal, basta um esforço constante em um prazo de até 15 dias de novas experiências. Os benefícios são inúmeros, como o potencial de melhora na saúde.

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