Por que e como evitar os picos de insulina

 A expressão pico de insulina é algo muito usado nos dias atuais, principalmente em uma era em que somos bombardeados por alimentos e bebidas industrializados que contam com uma alta dose de açúcar em sua composição. E não da para negar: esse tipo de comida é realmente tentador.

Porém, o problema em consumir altos níveis de açúcar não fica somente na balança. Quando em excesso dentro do nosso organismo, esse ingrediente age de uma forma peculiar que pode prejudicar, e muito, a nossa saúde. Acompanhe a seguir o que é e quais são as consequências do pico de insulina!

O que é pico de insulina?

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e é liberado pelo órgão a cada refeição feita, a fim de ajudar o organismo a usar ou armazenar a glicemia que ele recebe dos alimentos. Nas pessoas com diabetes tipo 1, o pâncreas não produz mais a insulina, uma vez que as células foram destruídas e necessitam de doses desse hormônio para utilizar a glicose das refeições.

Já nos indivíduos com diabetes tipo 2, a insulina é produzida e não recebe uma resposta positiva do organismo. Essas pessoas precisam de doses de insulina ou comprimidos para diabetes para que a glicose seja usada como uma fonte de energia.

O hormônio insulina não pode ser tomado em forma de comprimidos, pois se partiria durante o processo de digestão da mesma maneira que acontece com a proteína que está presente na comida. É necessário que ela seja injetada na gordura abaixo da pele para que vá direto para a corrente sanguínea.

O pico de insulina acontece quando a glicose está baixa demais na corrente sanguínea, enquanto os níveis de insulina estão em força máxima. Quando nos alimentamos de carboidratos simples — que viram açúcar no sangue —, ou de uma forma exagerada comendo mais do que o necessário, nosso organismo absorve esse açúcar de uma maneira muita rápida.

Entretanto, na Índia, existe um fitoterápico chamado ácido hidroxicítrico — HCA — capaz de reduzir os níveis de glicose no sangue após as refeições. Um estudo feito com ratos provou que, ao introduzir o ácido hidroxícitro após uma infusão de açúcar no estômago dos animais, foi possível notar que o aumento de açúcar no sangue daqueles que tinham HCA foi mais lento em comparação com o grupo de controle, além da substância atenuar os níveis de glicose no sangue após a ingestão de alimentos.

Por quais razões o pico de insulina deve ser evitado?

Um dos maiores problemas causados por esses picos constantes é a resistência à insulina que o indivíduo pode desenvolver. Essa questão é um distúrbio sistêmico que afeta muitos dos órgãos e sistemas regulados pelo hormônio. A desordem é caracterizada pela ação reduzida da insulina, apesar do aumento de suas concentrações — hiperinsulinemia.  

A insulina causa vasodilatação por meio do aumento da produção endotélica de óxido nítrico pela ativação da via fosfatidilinositol 3-quinase. Quando a pessoa possui resistência à insulina, essa via é prejudicada e a proteína quinase mitógeno-ativada simula uma vasoconstrição. Ou seja, o efeito é contrário.

Em termos de consequências causadas nos rins, a resistência à insulina tem forte associação com hipertensão arterial sensível ao sal. Veja o que a insulina causa em determinadas regiões do corpo humano a seguir:

Músculo

A absorção de glicose no músculo é essencialmente dependente da insulina por meio do GLUT 4 e pode representar de 60 a 70% da absorção mediada pelo hormônio no corpo inteiro. Quando nos alimentamos, a síntese de glicogênio — armazenamento no fígado de carboidratos consumidos em excesso para enviar glicose no sangue quando necessário — permite que a energia seja liberada anaerobicamente por meio da glicólise e durante atividades musculares intensas.

A insulina pode combater o catabolismo protéico, enquanto a sua deficiência contribui para que ele aconteça por meio da liberação de aminoácidos para a formação de glicose.

Tecido adiposo

Estima-se que o tecido adiposo representa cerca de 10% da absorção de glicose do corpo todo estimulada pela insulina. Como as células adiposas não são dependentes da insulina em seu estado basal, a energia intracelular, nesse caso, pode ser fornecida por oxidação de ácidos gordurosos para liberar ácidos graxos livres na circulação e serem usados por órgãos, como o coração ou fígado, onde são convertidos em compostos orgânicos.

Esses compostos orgânicos, chamados de cetonas, fornecem um substrato de energia alternativa para o cérebro durante a fome prolongada. Esse efeito é semelhante ao que acontece quando o indivíduo é portador de resistência à insulina, sendo diferente pelo aumento do fluxo de ácidos graxos no fígado.

Além disso, a absorção de triglicerídeos também é diminuída em pessoas que possuem resistência à insulina, resultando em uma hipertrigliceridemia.

Fígado

O fígado não é um órgão dependente da insulina, porém, a absorção de glicose nele representa cerca de 30% de sua absorção estimulada pelo hormônio, que se torna necessária para facilitar os principais processos metabólicos. Esses processos podem ser afetados pela resistência à insulina, aumentando a produção de glicose e a liberação de ácidos graxos livres.

Cérebro

Resumidamente, quando há açúcar em excesso dentro do nosso organismo, os níveis de glicose são reduzidos para valores abaixo do normal. Quando isso acontece, nosso cérebro entende que precisamos de energia novamente, fazendo com que fiquemos com fome imediatamente, mesmo após uma refeição grande.

Isso é muito comum de acontecer ao comemos um prato cheio de macarrão ou uma quantidade excessiva do arroz branco — ambos carboidratos simples. O açúcar chega até a corrente sanguínea rápido demais, resultando em um pico de insulina.

Durante esse ciclo vicioso, em que você come e logo sente fome, acontece o tão temido aumento de peso — principalmente se houver ingestão de mais carboidratos nesses períodos. Por isso, é importante ficar atento ao índice glicêmico que cada alimento possui e escolher com cautela qual você consumirá. Recomenda-se fazer exercícios físicos logo após a ingestão de alimentos de altos índices glicêmicos.

Quando ingerimos mais alimentos do que o necessário, nosso cérebro imediatamente ordena que esse excesso de energia seja armazenado para necessidades futuras. Essa sobra de glicose que não foi utilizada pelo organismo é conservada em forma de gordura, que passa a ser uma fonte secundária de energia, apenas solicitada quando a glicose está no fim. Entretanto, como você ingere glicose constantemente, esse armazenamento não é utilizado, gerando o acúmulo de gorduras pelo corpo e, consequentemente, a obesidade.

Pâncreas

As células pancreáticas possuem receptores tanto para insulina, quanto para IGF-1 — hormona sintetizada pelo fígado. O papel da insulina é regular a secreção estimulada pela glicose pelo meio da detecção dos níveis dessa energia ou crescimento de células. 

Um estudo mostrou que, ao alimentar mulheres lactantes com uma dieta rica em gordura, o resultado foi uma formação anormal de axônios e fibras nervosas parassimpáticas, estimulando o pâncreas na prole.  

Em uma última análise, essas perturbações causadas no órgão se associaram à obesidade, insuficiência de secreção de insulina estimulada pela glicose e pela intolerância à glicose. Pelo grande número de mulheres grávidas e lactantes obesas e diabéticas, é preciso garantir uma melhor compreensão da programação metabólica e de desenvolvimento. 

O que é o índice glicêmico?

É o índice que indica a velocidade em que o açúcar que você vai ingerir por meio dos alimentos chegará até a sua corrente sanguínea. São considerados de baixo índice glicêmico os alimentos inferiores a 55, de médio índice glicêmico os que estão entre 56 e 69, e de alto índice glicêmico os superiores a 70.

Influências fisiológicas na ação da insulina e resistência à insulina

Dietas e períodos prolongados de fome

Como visto, os níveis de insulina são baixos em estado basal e maiores quando nos alimentamos, fazendo com que sejam altamente influenciados pela composição da dieta.

O consumo crônico de energia em excesso promove a hiperinsulinemia e resistência à insulina por meio da estimulação da sua secreção, síntese de triglicerídeos e acúmulo de gordura.

Dietas com alto teor de gordura tendem a ser associadas à resistência ao hormônio, particularmente no que diz respeito à gordura saturada e aos ácidos graxos trans, já que esses ácidos possuem efeitos sobre a composição dos lipídeos da membrana.

Exercícios e atividades físicas

Estudos citados anteriormente mostram que o exercício melhora os efeitos da sensibilidade à insulina, e apresenta resultados benéficos, como a diminuição nos riscos de se desenvolver a diabetes tipo 2.

Durante um ensaio clínico controlado, observou-se uma redução de 58% na progressão da tolerância à glicose prejudicada por esse tipo de diabetes em pessoas que modificaram o estilo de vida, incluindo um mínimo de 20-30 minutos de atividades físicas diárias.

Sono e sua falta

Longos períodos sem dormir podem aumentar as concentrações da glicose no sangue — associados à redução da frequência cardíaca e às alterações nos níveis de cortisol durante o dia. Há, também, evidências de que a privação de sono pode afetar a resistência à insulina, além de contribuir para um aumento de peso.

Obesidade

A resistência à insulina aumenta o índice de massa corporal — IMC —, circunferência da cintura e, em particular, a relação entre a cintura e o quadril. Esses efeitos refletem o aumento da adiposidade, especialmente a expansão do tecido adiposo visceral.

Esse tecido refere-se à gordura intra-abdominal em torno dos intestinos e correlaciona-se com a gordura do fígado. Além disso, também possui características metabólicas que diferem da gordura subcutânea.

Acredita-se que a resistência à insulina observada na obesidade envolve, sobretudo, músculo e fígado, com o aumento dos ácidos graxos livres derivados de adipócitos que promovem o acúmulo de triglicerídeos na região.

Como evitar o pico de insulina?

Para evitar que o pico de insulina aconteça, é importante ficar atento ao índice glicêmico de cada alimento. Os carboidratos, apesar de necessários para o bom funcionamento do nosso organismo, devem ser consumidos moderadamente, dando sempre preferência aos complexos no lugar dos simples.

Consumir fibras durante as refeições também auxilia na hora da absorção do açúcar, fazendo com que ele entre mais lentamente na corrente sanguínea.

Portanto, procure ingerir grupos de alimentos variados, principalmente ricos em vitaminas e minerais como as frutas, legumes e verduras. Praticar exercícios físicos regularmente também ajuda a evitar os picos de insulina.

O pico de insulina é prejudicial à saúde e pode ter vários efeitos negativos nos órgãos do nosso corpo, além de prejudicar as pessoas que estão em busca da perda de peso e contribuir para o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Por essas e outras razões, é essencial que esses eventos sejam evitados sempre que possível.

Gostou do post de hoje? Então compartilhe este artigo nas redes sociais e ajude mais pessoas a entenderem por que os picos de insulina prejudicam a saúde.