Todo vegetariano é igual?

Todo vegetariano é igual?

 

O objetivo deste texto, o terceiro da série (parte 1 e parte 2), é esclarecer o conceito de vegetarianismo e seus subtipos, para que você entenda as diferenças entre eles e possa evitar algumas atitudes estranhas, como oferecer peixe praquele seu amigo que virou vegetariano. Se você já fez isso não se preocupe, é comum que mesmo os profissionais da saúde se confundam em relação ao assunto. Caso você seja um vegetariano que se se ofende com esse tipo de confusão, faça um favor a todos ao seu redor: não seja um chato! Explique de maneira paciente e educada ao invés de contribuir para o fortalecimento do estereótipo de vegetariano histérico.

Indo ao que interessa, de acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) “é considerado vegetariano todo aquele que exclui de sua alimentação todos os tipos de carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos. O vegetarianismo inclui o veganismo, que é a prática de não utilizar produtos oriundos do reino animal para nenhum fim (alimentar, higiênico, de vestuário etc.)”. Cabe mencionar que, dentro da nutrição, convencionou-se chamar os vegetarianos estritos simplesmente de veganos, a fim de facilitar o entendimento de que aquela pessoa além de não comer carne, também não come ovos, leite e mel.

Assim, os vegetarianos são classificados de acordo com o com o consumo de subprodutos de origem animal. A tabela abaixo facilita o entendimento do que cada um dos grupos consome:

Classificação Carnes Ovos Leite e derivados Mel
Ovolactovegetariano
Lactovegetariano
Ovovegetariano
Vegetariano estrito

 

Existem, ainda, outras classificações utilizadas no meio científico e fora dele como: semi-vegetariano, reducistariano, flexitariano e pescetariano, de acordo com os tipos de carne e a frequência consumida. Todos estes termos podem ser úteis no desenho de estudos científicos que visam comparar as diferentes formas de se alimentar, mas não são classificações corretas dentro do conceito de vegetarianismo, que não inclui o consumo de nenhum tipo de carne, nem mesmo de forma esporádica.

No contexto daquilo que venho propondo, que é não se rotular vegetariano enquanto isso não for natural para você, é interessante conhecer o conceito de Whole Food Plant-Based Diet (Alimentação Integral Baseada em Plantas) – uma proposta de alimentação baseada em vegetais e alimentos na sua forma mais natural (minimamente processada), com um teor reduzido de carnes e que também demonstra preocupação com aspectos relacionados a sustentabilidade, além da saúde. Esta é, certamente, uma forma muito saudável de se alimentar e pode representar, para muita gente, um passo intermediário até a eliminação completa da carne na dieta.

Do ponto de vista da saúde e da performance, todos os tipos de alimentação possuem suas vantagens e limitações. Ser vegetariano não significa, necessariamente, ser saudável, bem como comer carne e outros derivados de animais não melhora, necessariamente, o desempenho atlético. O que vai, de fato, impactar na saúde, na melhora da composição corporal e nos resultados esportivos é todo o conjunto que envolve alimentação, estilo de vida e treinamento físico. A vantagem de ser vegetariano é que, além de você, se beneficiam o meio ambiente e os animais – e neste sentido todo vegetariano é igual, ainda que se difiram naquilo o que comem.

Você também pode contribuir, mesmo que não seja vegetariano! Que tal tirar a carne do prato uma vez por semana ou experimentar uma proteína vegetal no lugar da whey na sua próxima compra de suplementos? Abra sua mente, considere essa ideia e descubra novos sabores!

 

Sobre o autor: Filipe Testoni é nutricionista, especialista em Nutrição Vegetariana, Primeiro-tenente da Reserva do Exército Brasileiro e 2x campeão de fisiculturismo clássico pela IFBB/SC. www.filipetestoni.com.br