Fadiga adrenal: entenda o que é e por que isso é um mito

As glândulas adrenais estão localizadas acima dos rins e, por esse motivo, também recebem o nome de glândulas suprarrenais. Ambas são constituídas de tecidos secretores distintos: o córtex, parte mais externa e a medula, parte interna.

A medula das glândulas suprarrenais é responsável pela produção de adrenalina (ou epinefrina) e noradrenalina. Basicamente, quando uma pessoa vive um momento de perigo ou estresse, esses hormônios são ativados, colocando o corpo em movimento e estado de alerta.

Já o córtex das adrenais tem como função principal a fabricação de hormônios chamados de corticosteróides. Nesse caso, existem os glicocorticóides (ou cortisol), que atuam aumentando a quantidade de glicose disponível no sangue, os mineralocorticóides (ou aldosterona), que regulam o balanço de sais e água no organismo, assim como há produção de alguns hormônios sexuais (testosterona, por exemplo).

O termo fadiga adrenal tem sido bastante utilizado na mídia e no meio médico para explicar, supostamente, o mal funcionamento das glândulas. Porém, afinal, o que seria esse problema e por que muitos especialistas acreditam que ele seja um mito? Tentamos esclarecer essas e outras dúvidas neste artigo. Acompanhe!

O que é fadiga adrenal?

Primeiramente é preciso explicar que existe uma doença que acomete seriamente as glândulas adrenais, chamado de insuficiência. Nesse caso o indivíduo não produz ou produz quantidade insignificante de cortisol e aldosterona. Frequentemente esse é um problema autoimune, ou seja, as próprias células de defesa do organismo atacam a glândula suprarrenal, destruindo os seus tecidos.

Os principais sintomas e achados são mal-estar geral, cansaço exuberante, diminuição da pressão arterial e baixos níveis plasmáticos de sódio, desidratação, emagrecimento, baixo nível de glicose sanguínea, diarreia ou prisão de ventre e desmaios.

Sem tratamento esse quadro pode ser fatal. Sendo assim, é imprescindível que a pessoa diagnostique a doença (o que é bastante difícil, devido à inespecificidade dos sintomas) e comece a repor os hormônios que faltam.

Teoricamente, a fadiga adrenal seria um quadro mais brando se comparado a insuficiência adrenal. Isso porque as glândulas não estariam em insuficiência, mas sim “cansadas”, diminuindo a produção de seus hormônios. Essa condição também pode ser nomeada de “hipoatividade”.

Acredita-se que o quadro de cansaço das glândulas supra renais deve-se ao estilo de vida moderno. Sendo assim, vivências como o estresse contínuo, pressão no ambiente de trabalho ou perda do emprego, pressão no ambiente estudantil, relacionamentos conturbados, perda de entes queridos, convívio com sentimentos negativos (culpa ou medo excessivo, por exemplo), sedentarismo ou excesso de exercícios, toxinas (cigarro e álcool) e outros poderiam desencadear uma fadiga adrenal.

Quais os sintomas da fadiga adrenal?

Os sintomas da suposta fadiga adrenal, como falado, indicam um quadro mais leve de insuficiência. Sendo assim, podemos citar:

  • cansaço excessivo;

  • dor no corpo;

  • mal-estar geral;

  • vontade de comer alimentos muito salgados ou doces;

  • ansiedade;

  • tonturas frequentes,

  • infecções de repetição;

  • falta de motivação;

  • irritação excessiva;

  • compulsão por bebidas estimulantes;

  • dificuldade de concentração.

Quais as razões que indicam que esse problema é um mito?

Embora a fadiga adrenal seja muito citada e até diagnosticada por alguns profissionais, não existem estudos conclusivos que comprovem que esse problema, de fato, existe. Em publicações de relevância científica praticamente não há uso desse termo e os trabalhos que usam essa terminação são de baixa qualidade.

Além disso, em livros referência de Endocrinologia não há menção sobre “fadiga de suprarrenais”. É importante ter em mente que os sintomas citados acima são comuns há várias doenças e inclusive podem ser decorrentes de um estilo de vida não saudável. Dessa forma, é imprescindível realizar a pesquisa para diagnóstico diferencial com doenças como a depressão, hipotireoidismo, apneia obstrutiva do sono e outras patologias que causam diminuição dos níveis de cortisol.

Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, publicado em 2016, para que a insuficiência adrenal se manifeste é necessário que cerca de 90% do córtex das adrenais esteja comprometido. Como a instalação da doença é insidiosa, pacientes no início da doença podem manifestar sintomas mais brandos, o que pode ser confundido com a “fadiga adrenal”. No entanto, esses pacientes tendem a ter níveis insuficientes de cortisol, o que pode ser mensurado em exames laboratoriais.

O diagnóstico de insuficiência adrenal primária, a forma mais comum, pode ser feito apenas com dosagens séricas basais de cortisol, que estará reduzido, e de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), que para compensar o quadro, aumenta, ficando acima 45 pg/mL. Níveis séricos basais de cortisol abaixo de 3 mcg/dL indicam a insuficiência suprarrenal, enquanto níveis acima de 16 mcg/dL excluem essa hipótese.

Qual o tratamento para esse tipo de problema?

É importante que o paciente se submeta a investigação com um profissional de confiança para tratar o problema. Nesse caso, o ideal é um médico endocrinologista, que poderá avaliar todos os sintomas e verificar se há insuficiência adrenal em fase inicial ou não. Assim, se não houver, é preciso que outras doenças com sintomas parecidos sejam investigadas.

A depressão ou o transtorno de ansiedade generalizada, por exemplo, são patologias que podem causar no indivíduo desânimo, mal-estar, ganho de peso, falta de motivação, irritação e outros sintomas citados como os que supostamente caracterizam a fadiga adrenal. O hipotireoidismo é outro exemplo de doença, visto que a pessoa acometida fica extremamente cansada, pode ter dificuldade de concentração e outros.

Se for concluído que não há doença de base, a pessoa precisa procurar quais erros está cometendo em sua rotina. Afinal, não ter uma noite de sono reparador pode causar boa parte dos sintomas da “fadiga adrenal”, assim como sobrecarregar o organismo com uso excessivo de toxinas (suplementação incorreta e anabólicos) ou treino exagerado.

Nesse contexto também é fundamental se alimentar bem e sem restrições, visto que a falta de nutrientes ou a pressão imposta pelo seguimento da dieta podem trazer repercussões negativas para a saúde. O estresse e ansiedade precisam ser trabalhados pelo indivíduo, visto que esses sentimentos atrapalham o convívio social e o trabalho ou estudo. Nesse caso, ter a ajuda de um psiquiatra e acompanhamento psicológico pode ser de grande valia.

Podemos concluir que um estilo de vida saudável e equilibrado é a chave para ter bem-estar e se livrar de sintomas negativos. Existem muitas controvérsias em relação a popular “fadiga adrenal” e, por esse motivo, é importante procurar um médico para esclarecer as dúvidas e evitar o consumo de “tratamentos” que podem ser prejudiciais a saúde.

Tirou todas as suas dúvidas sobre a fadiga adrenal e por que isso é um mito? Conte nos comentários qual é a sua experiência com esse assunto.