Você sabe o que é eletromiografia?

Os objetivos de quem pratica musculação são atingir os melhores resultados em relação ao desempenho, ao rendimento, à força física e à hipertrofia.

Quanto maior o comprometimento com o esporte, maior a necessidade de obter mais informações sobre como os exercícios são executados, sobre o quanto eles são eficientes e sobre os melhores efeitos alcançáveis.

Nesse sentido, é essencial conhecer o que é a eletromiografia. A eletromiografia é uma ferramenta importante para a avaliação dos músculos, pois é uma técnica de monitoramento da atividade muscular a partir da análise dos sinais elétricos emitidos durante o movimento.

Acompanhe este post para entender o que é eletromiografia e como ela pode auxiliar no melhor desempenho esportivo, sobretudo na musculação. Boa leitura!

Como ocorre a contração muscular?

A eletromiografia analisa os sinais elétricos (potenciais elétricos) obtidos durante a atividade muscular. Esses sinais são gerados nas fibras musculares durante a sua contração. A contração muscular é o resultado final de uma série de estímulos e de respostas fisiológicas.

O primeiro estímulo para a contração muscular voluntária é gerado no cérebro, nas regiões cerebrais denominadas áreas motoras. Esse sinal, de natureza elétrica, é transmitido ao longo de outras estruturas encefálicas para a medula espinhal e segue, pelos nervos, até atingir as fibras musculares, em uma região denominada unidade motora.

As fibras musculares são as células que constituem os músculos. Cada unidade motora é formada por um neurônio motor e pelo conjunto de fibras musculares que ele inerva.

Um neurônio motor pode inervar inúmeras fibras musculares através de seus prolongamentos, mas uma fibra muscular é inervada por apenas um neurônio motor. Isso permite que a contração das fibras seja finamente coordenada, refletindo no controle da contração muscular.

Quando as fibras musculares recebem a estimulação vinda de seu neurônio motor correspondente, ocorre a despolarização da membrana das fibras — ou seja, a alteração das cargas elétricas dessa célula. Essa alteração, que desencadeia a contração das fibras musculares, é o sinal elétrico captado na eletromiografia.

O que é eletromiografia?

A eletromiografia é um exame que estuda a ativação das unidades motoras por meio do registro da atividade elétrica do músculo — esta é decorrente da contração muscular, como explicamos acima. A partir da avaliação das unidades motoras, é possível avaliar os músculos e os grupos musculares.

A atividade elétrica é analisada por meio do uso de eletrodos, que captam a entrada e a saída de corrente elétrica. O tipo de eletrodo escolhido para a eletromiografia dependerá do tipo do músculo e das informações desejadas.

Podem ser usados eletrodos superficiais — aderidos à pele, que são mais utilizados na eletromiografia de superfície — ou eletrodos do tipo agulha, que são inseridos no músculo, em uma técnica mais invasiva.

A técnica da eletromiografia inclui a obtenção do sinal elétrico e o tratamento desse sinal, uma vez que a sua análise não pode ser feita diretamente. Isso ocorre porque o sinal obtido de uma área muscular corresponde à soma dos potenciais de ação de várias unidades motoras, cada uma com características próprias.

O sinal elétrico sofre interferência também de fatores como a espessura da pele, da camada de gordura, do posicionamento dos eletrodos e do diâmetro das fibras. A normalização do sinal também permite comparar os resultados de indivíduos diferentes.

Quais são os usos da eletromiografia?

Por avaliar a atividade muscular durante o movimento com muita sensibilidade, a eletromiografia pode ter diversas aplicações nas áreas da saúde e do exercício físico. Os seus diversos usos serão apresentados aqui. Confira!

Diagnóstico de problemas musculares

Uma das principais funções da eletromiografia para a área da saúde é no auxílio ou na confirmação do diagnóstico de problemas musculares — como doenças do sistema muscular, a origem de dores e de lesões sofridas. Ela pode ser utilizada em conjunto com outros exames, como a ressonância magnética, a tomografia computadorizada e a ultrassonografia.

Algumas das doenças que podem ser diagnosticadas em conjunto com a eletromiografia são as distrofias e as atrofias musculares, a síndrome do túnel do carpo e a miastenia gravis. A técnica também pode auxiliar na identificação de disfunções da mandíbula e de problemas fonoaudiológicos, entre inúmeros outros.

Acompanhamento do processo de recuperação muscular

No caso de lesões musculares, a eletromiografia ajuda os médicos e os fisioterapeutas em relação ao curso da reabilitação muscular. Ela avalia, por exemplo, a recuperação após um dano da função proprioceptiva, que é a capacidade de reconhecer a posição de um músculo ou de uma articulação.

Os dados da eletromiografia também orientam os preparadores físicos e os fisioterapeutas em relação aos exercícios trabalhados durante o restabelecimento da saúde muscular — eles podem ajudar a poupar as áreas lesadas de atividades que possam prejudicar a cura muscular e na escolha das atividades que acelerarão esse processo.

Avaliação das características dos exercícios físicos e dos movimentos

Um dos grandes diferenciais da eletromiografia é a possibilidade de avaliar, de maneira não invasiva, a função muscular durante a execução de movimentos dos músculos.

Isso fornece importantes informações sobre a atividade muscular e sobre o exercício físico avaliado, como o tipo de resposta muscular obtida, o tipo da contração muscular e a posição das articulações envolvidas no movimento.

A eletromiografia também fornece dados sobre a eficácia do exercício em relação ao objetivo buscado, uma vez que indica quais são os músculos mais envolvidos em um determinado movimento.

Isso permite uma melhor escolha dos exercícios que facilitam o desenvolvimento de alguns grupos musculares. A seleção de exercícios que poupem grupos musculares que não serão recrutados na atividade também é importante para evitar sua sobrecarga e prevenir lesões.

Avaliação da resistência e da fadiga muscular

A análise do sinal obtido na eletromiografia permite a avaliação da resistência muscular, por evidenciar o momento exato do início e do fim do movimento. Ela também avalia a fadiga muscular, que é compreendida como o declínio do desempenho muscular ao longo do exercício físico.

Ao atingir o ponto de fadiga, o músculo não é mais capaz de sustentar o nível de força física desejado — nesse ponto, é necessário aguardar a devida recuperação das fibras musculares. O tempo para recuperação do músculo fadigado varia entre os indivíduos, sendo maior para os sedentários, e depende também do descanso entre os treinos e da alimentação.

A informação sobre a fadiga muscular pode ser útil em algumas metodologias de treinamento, como o protocolo HIIT (High Intensity Interval Training, que significa “Treinamento Intervalado de Alta Intensidade”) ou para alguns programas de musculação voltados para a hipertrofia, como naqueles em que há a recomendação de treinar até a falha muscular ou de interromper o treinamento um pouco antes da falha muscular.

É necessário ressaltar que a escolha do tipo de treinamento deve ser orientada por um profissional de Educação Física.

Avaliação da força muscular

A avaliação da força muscular também pode ser realizada por meio da eletromiografia. Ela permite observar, por exemplo, qual exercício demanda maior força muscular ou como variações nos mesmos exercícios — como a posição de execução — interferem na força.

Ela também possibilita ver como as alterações nas cargas utilizadas durante o exercício aumentam a necessidade da força muscular. Todos esses dados podem favorecer a obtenção de melhores resultados finais.

Quais são as aplicações da eletromiografia na musculação?

Os diversos estudos dos exercícios físicos por meio da eletromiografia contribuem para a evolução das práticas esportivas. Isso ocorre porque ela fornece dados que permitem uma escolha cada vez mais inteligente das atividades desempenhadas, buscando sempre os melhores resultados.

Ao treinar pernas, por exemplo, um único exercício não é capaz de trabalhar todos os grupos musculares, sendo necessário uma combinação de exercícios. Caso o trabalho muscular seja desequilibrado, pode ocorrer a desproporção entre a hipertrofia de alguns músculos em relação a outros.

Ou seja, alguns músculos terão maior desenvolvimento do que os demais. Isso pode acarretar em um resultado estético ruim e facilitar lesões. Ao utilizar as informações obtidas na eletromiografia para montar uma série de exercícios, esses problemas são reduzidos.

Outro ponto em que a eletromiografia é útil na musculação é na escolha da melhor maneira de executar um exercício a fim de otimizar os seus resultados. Isso envolve a escolha da posição em que a atividade será praticada, do ângulo, da carga, do número de repetições e da duração.

Assim, a partir de pequenas variações em um exercício, é possível tirar maior proveito de sua prática e ter maiores ganhos musculares. Ao saber melhor as diferenças e os benefícios de cada exercício físico por meio da eletromiografia, vários detalhes relevantes para a prática de exercícios são otimizados, o que reflete nos resultados obtidos — tanto na melhora do desempenho, como no aumento da força, da resistência e da hipertrofia.

Também é possível, a partir desse conjunto, obter melhores resultados estéticos. Isso contribui para atingir um maior nível de excelência no esporte.

Conhecer mais sobre o que é eletromiografia, sobre o seu funcionamento e sobre suas aplicações auxilia na melhor prática esportiva, no treinamento muscular e na conquista dos resultados desejados.

É fundamental estar sempre bem informado sobre os diferentes recursos disponíveis, que elevam o nível da prática da musculação. Continue aprendendo e leia o nosso texto sobre “o que são os suplementos multivitamínicos”!