Musculação x acne

Para entendermos que musculação não tem nenhuma ligação com acne precisamos entender que esta doença do folículo pilossebáceo pode ser causada por basicamente 4 fatores:
– desregulação das glândulas sebáceas (seja aumento do numero das glândulas ou aumento da produção de sebo).
– Doenças dermatológicas
– Presença excessiva de microrganismos que se alimentam de sebo produzido na pele.
– Inflamação.

Existem ainda fatores menos influentes, mas que também contribui para formação da acne, um deles é a produção de testosterona, este hormônio que geralmente é encontrado em grandes concentrações em jovens, pode ajudar a agravar o aparecimento desta condição durante a puberdade e também outros períodos da vida. Com base nisto podemos desenvolver o seguinte pensamento:

“Acne pode ocorrer em todas as raças, embora seja menos intensa em orientais e negros. Na adolescência e juventude estão as mais altas concentrações de testosterona no organismo, estas duas faixas etárias também são as mais encontradas nas academias e salas de ginástica, logo, pode ser que alguém tenha criado o conceito errado de que “academia” dá espinhas”.

Diferente do que se propaga erradamente em alguns lugares, creatina não acarreta em aumento da incidência de acne.

Uma correlação que se faz com o aparecimento de espinhas é a dieta consumida. Esta sim tem efeitos atenuantes ou agravantes sobre esta dermatose crônica. No ano de 2010 através de um artigo de revisão elaborado por Adilson Costa; Denise Lage e Thaís Abdalla Moisés e publicado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia pudemos ver que nos últimos 50 anos, foram publicados inúmeros estudos com a finalidade de comprovar se a dieta está relacionada à etiologia da acne. Embora existam estudos antigos, que são bem difundidos entre os dermatologistas e negam a associação entre acne e dieta, seu delineamento científico é pobre. Recentemente, novos artigos demonstraram evidências contrárias às publicações anteriores.

O material disponibilizado pela Sociedade Brasileira de dermatologia enumera 10 fatores dietéticos que influenciam no aparecimento de acne:

1 – Obesidade não é determinante, não é o quanto se come, mas o que se come que afeta o quadro de acne.

2 – O consumo frequente de carboidrato de alto índice glicêmico pode, repetidamente, expor adolescentes à hiperinsulinemia aguda que, em consequência, influencia no crescimento epitelial folicular, na queratinização e, também, na secreção sebácea.

3 – Apesar de não ser consenso existem evidencias de que a dieta consumida acelera a maturação sexual e assim possa desencadear acne. Estudos demonstram que adolescentes com hábitos de ingestão de alimentos com baixo índice glicêmico apresentam atraso na menarca. Ingestão de alimentos de alto índice glicêmico na fase infantil até a puberdade tem antecipado tem antecipado a maturação sexual. Além disso, a oferta de carboidratos refinados que fazem elevar os níveis de insulina sanguíneos também influenciam a concentração circulante do IGF-1 e da proteína ligadora do fator de crescimento semelhante à insulina-3 (IGFBP-3), os quais agem diretamente na produção de sebo.

4 – Leite e derivados (incluindo whey) podem induzir paradoxalmente, ao aumento dos níveis de IGF-1, favorecendo o surgimento e/ou agravamento da acne. O leite contém estrógeno, progesterona, precursores de hormônios, alguns envolvidos em lesões dérmicas que resultam em acne.
O leite é enriquecido de outras moléculas bioativas que agem na unidade pilossebácea, tais como glicocorticoides, fator de transformação de crescimento-β (TGF-β), peptídeos hormonais semelhantes à tireotropina e compostos semelhantes a opiáceos. Especula-se que o processamento do leite desnatado altere a biodisponibilidade dessas moléculas bioativas ou a interação das mesmas com as proteínas de ligação. Sendo assim, é possível que o balanço dos constituintes hormonais do leite desnatado esteja alterado, culminando em maior incidência de acne. Além disso, para simular a consistência do leite integral, proteínas do soro do leite, especialmente, a a-lactoalbumina, são acrescentadas à fórmula do leite desnatado e com baixo teor de gordura, o que também parece desempenhar papel importante no aparecimento de acne.

Além disso, Iodo é usado na suplementação da dieta oferecida aos animais e também uso de soluções nos equipamentos de ordenha. É sabido que a ingestão de iodo pode exacerbar a acne. Outro argumento que ajuda a reforçar a hipótese da associação entre o consumo de leite e o quadro de acne é a de que o iodo contido no leite pode estar envolvido na etiologia dessa dermatose.

Por isso justifica-se a terapia dietética que se evite a ingestão de laticínios e carboidratos com alto índice glicêmico, pois, assim, postula-se conseguir diminuir os níveis de IGF-1, o qual age, sinergicamente com a diidrotestosterona, na unidade pilossebácea de indivíduos geneticamente predispostos.

5- Metabolismo da insulina e a acne

Acne é uma das características clínicas da síndrome do ovário policístico (SOP), que cursa, frequentemente, com obesidade, hiperinsulinemia, resistência à insulina e hiperandrogenismo. Tais pacientes apresentam altos níveis de andrógenos, IGF-1 e baixa concentração das globulinas ligadoras aos hormônios sexuais (SHBG).

Tanto a insulina quanto o IGF-1 estimulam a síntese de andrógenos ovariano e testicular; além disso, inibem a síntese hepática das SHBG e, portanto, aumentam a biodisponibilidade dos andrógenos teciduais circulantes. Altas concentrações de andrógenos, insulina e IGF-1 podem estar associadas com a acne da mulher adulta.

6 – Benefício clínico da acne com dieta de baixo índice glicêmico
O mecanismo preciso pelo qual o índice glicêmico influencia a composição do sebo é desconhecido. Sabe-se que, para sintetizar lípides, as glândulas sebáceas precisam de energia, que pode ser adquirida pela betaoxidação dos ácidos graxos e/ou pelo catabolismo da glicose. Supõe-se que alimentos com baixo índice glicêmico influenciem a composição sebácea por meio de efeitos metabólicos e/ou, secundariamente, dos níveis hormonais de testosterona livre e andrógenos. Evidências demonstram que a dieta à base de baixo índice glicêmico pode diminuir os estoques de glicogênio nos tecidos corporais (músculo e fígado), sendo fator limitante na lipogênese sebácea. Além disto, essa dieta pode reduzir a biodisponibilidade da testosterona e a concentração do sulfato de diidroepiandrosterona. Como a produção de sebo é controlada pelos andrógenos, a redução dos mesmos pode alterar a composição sebácea

7 – Antiacnegicidade mediante a oferta de ácidos graxos na dieta.
O sebo humano é composto, principalmente, por triglicérides (40%-60%), cerídeos (19%-26%), escaleno (11%-15%) e pequena quantidade de colesterol e éster de colesterol. Presume-se que a fração de triglicérides do sebo seja responsável pelo desenvolvimento da acne. Bactérias podem hidrolisar os triglicérides sebáceos, liberando ácidos graxos que podem penetrar na parede folicular e ser incorporados ao metabolismo da epiderme ao redor.

Ácidos graxos Omega-3 podem proporcionar redução quantitativa do tamanho das glândulas sebáceas após três meses ininterruptos de uso do produto. Um bom indício para a utilização de uma dieta rica em ácidos graxos é o fato de que a alimentação é bem conhecida por ser um modulador da resposta inflamatória sistêmica. Um dos mais importantes fatores dietéticos que influenciam a inflamação é a ingestão relativa de ácidos graxos poliinsaturados (Pufas) ω-6 e ω-3.

8 – Papel protetor de uma dieta rica em zinco e vitamina A
Por longo tempo, vitamina A e zinco tiveram seu uso difundido e protegido por vários autores no tratamento da acne, por seus respectivos efeitos inibidores. Uma pesquisa realizada com 173 indivíduos analisou beneficio de uma dieta rica em vitamina A e do zinco na acne. Realizou-se análise das concentrações sanguíneas de proteína ligadora do retinol (o retinol provém do metabolismo tecidual da vitamina A ingerida na dieta) e de zinco. Os pacientes com acne revelaram níveis inferiores de ambos e estes eram menores ainda nos que apresentavam acne grave. Tal achado, portanto, confirma o papel relevante da vitamina A e do zinco na etiologia da acne.

9 – Chocolate…
Ingestão de alimentos à base de chocolate pode, sim, ter relação com o quadro clínico da acne vulgar. Um dado relevante merece ser ressaltado: as barras de chocolate comerciais, especialmente, as que apresentam teor lácteo elevado, têm grandes quantidades de carboidratos (açúcares refinados, portanto, possuem elevado índice glicêmico), os quais aumentam as taxas plasmáticas pós-prandiais de IGF e da proteína ligadora de IGF (IGFBP), assumindo, também, um perfil insulinotrópico.

Como conclusão podemos dizer que a alimentação, de fato, pode influenciar o quadro dessa dermatose. As pesquisas epidemiológicas observam uma situação bem clara, populações com habito alimentar rico em alimentos processados, laticínios, açúcares e óleos refinados apresentam grandes influencia sobre esta condição. Já populações que praticam dieta com grande consumo de alimentos frescos, frutas, vegetais, carne, frango e frutos do mar grelhados não tem grande incidência de acne.

 

Referencia:

COSTA, Adilson; LAGE, Denise; MOISES, Thaís Abdalla. Acne e dieta: verdade ou mito?. An. Bras. Dermatol.,  Rio de Janeiro ,  v. 85, n. 3, p. 346-353,  June  2010 .

 

 

Material elaborado por Nutricionista Esportivo Diogo Círico – CRN 10 – 2067
R.T. Growth Supplements