Musculação na gravidez: benefícios e cuidados

A gestação pode ser considerada um período de tempo onde há grande vulnerabilidade para a mãe, isso porque acontecem várias transformações em seu corpo, em razão do seu crescimento e desenvolvimento do feto. É muito grande o numero de mulheres grávidas sentem desconfortos musculoesqueléticos durante esta fase, em especial a lombalgia é muito frequente neste publico. Este sintoma é muito frequente devido a mudança do centro de gravidade, a rotação anterior da pelve, o aumento da lordose lombar e o aumento da elasticidade ligamentar. Há evidencias de que uma rotina de exercícios,  com pelo menos 3 sessões de treino na semana durante a segunda metade da gravidez pode colaborar com a redução da intensidade das dores lombares e aumentar a flexibilidade da coluna.

Ocorre uma redução natural dos exercícios físicos durante a gravidez, com isso uma redução no condicionamento físico. A inatividade física é um dos fatores associados a maior  susceptibilidade a doenças durante e após a gestação.  Existe consenso entre profissionais de educação física de que a manutenção de exercícios de intensidade moderada durante gravidez não-complicada é capaz de garantir inúmeros benefícios para a saúde da mulher. O tema “exercicios resistidos” em mulheres grávidas não tem muitas pesquisas cientificas, porém os dados técnicos da literatura relacionados à exercícios resistidos de intensidade leve a moderada indicam melhora na resistência e flexibilidade muscular, sem aumento no risco de lesões, complicações na gestação ou relativas ao peso do feto ao nascer. Adesão a um programa de treinos com peso faz com que a mulher suporte melhor o aumento de peso e atenua as alterações posturais decorrentes desse período.

Quando falamos em exercícios de característica aeróbia podemos notar que existe um grande efeito sobre o controle do peso, manutenção do condicionamento físico, através da atividade física observa-se melhor utilização da glicose e aumento simultâneo da sensibilidade à insulina, que por sua vez ajudam a reduzir riscos de diabetes gestacional (condição que afeta 5% das gestantes).

A atividade física ainda apresenta benefícios sobre a saúde mental e emocional das mulheres, segundo Lima & Oliveira (2005) “Na literatura há alguns estudos envolvendo exercícios para a musculatura pélvica durante a gravidez. Eles são unânimes em afirmar os benefícios deste tipo específico de exercício como forma de prevenção à incontinência urinária associada à gravidez“.

Quais os riscos para o feto?
Pode haver estresse, restrição de crescimento intra-uterino e prematuridade fetal em algumas situações especiais:
– Durante a realização de exercícios de muito alta intensidade pode haver hipoxia ao feto.
– situações em que haja risco de trauma abdominal
– situações de hipertermia da gestante
Por este motivo a melhor conduta será aquela que limita a intensidade e tempo de duração dos exercícios visando sempre o bem estar do feto e da gestante.

No mesmo artigo publicado na revista brasileira de reumatologia (2005), Lima & Oliveira sugerem que o exercício regular seja contraindicado para as mulheres que apresentam as seguintes complicações:
Contra-indicações absolutas:
Doença miocárdica descompensada
Insuficiência cardíaca congestiva
Tromboflebite
Embolia pulmonar recente
Doença infecciosa aguda
Risco de parto prematuro
Sangramento uterino
Isoimunização grave
Doença hipertensiva descompensada
Suspeita de estresse fetal
Paciente sem acompanhamento pré-natal

Contra-indicações relativas:
Hipertensão essencial
Anemia Doenças tireoidianas
Diabetes mellitus descompensado
Obesidade mórbida
Histórico de sedentarismo extremo
Exceto os casos citados acima e alguma outra situação especial observada durante pré-natal, todas as mulheres recebem indicação para engajar-se em programa de treino aeróbico e/ou resistido, assim como alongamentos. A escolha das atividades a serem desenvolvidas deve considerar a possibilidade de gerar trauma físico e perda de equilíbrio durante a pratica. Um artigo publicado com título de “Os benefícios e riscos do exercício durante a gravidez” (Journal of Science and Medicine in Sport) sugere as seguintes situações:

  • Nos casos onde já existe bom condicionamento físico deve-se manter intensidade média nos exercicios aeróbicos durante a gravidez;
    • Exercitar-se pelo menos três vezes na semana por 20 minutos. Será seguro também nos casos onde mulheres com bom condicionamento físico exercitem-se por mais tempo em intensidade maior;
    • Musculação e outros exercícios co peso também devem ser realizados em intensidade moderada;
    • Evitar exercícios em supinação (barriga para cima);
    • Evitar exercícios em ambientes quentes, como exemplo piscina muito aquecida;
    • Uma vez que a necessidade calórico-nutricional esteja bem atendida, exercício e amamentação podem ser combinados.;
    • As mulheres devem ficar atentas e assim interromper imediatamente a realização do treino caso surjam sintomas como dor abdominal, cólicas, sangramento vaginal, tontura, náusea ou vômito, palpitações e distúrbios visuais;
    • Não há consenso sobre o melhor tipo de exercício que deva ser praticado nesta fase da vida,o fato é que a pratica de atividade física é extremamente importante, a manutenção do exercício que já vinha sendo executado pela gestante pode ser uma excelente ideia, desde que sejam tomadas as devidas precauções, analisando também caso a caso.

Exercícios físicos e trabalho de parto:

Antigamente acreditava-se que a atividade física durante a gestação poderia estimular a antecipação do trabalho de parto devido às contrações uterinas. Porém, hoje em dia é consenso entre profissionais da área que os exercícios físicos, quando executados dentro das recomendações não estimulam a prematuridade. Esta ideia sobre prematuridade e exercícios físicos baseia-se no aumento das atividades intrauterina, porém o que observa-se é um controle hormonal que protege o feto do excesso de atividade uterina. Na verdade a atividade física regular fortalece a musculatura pélvica, sendo mais um fator a proporcionar nascimentos a termo.  Pesquisas evidenciam que mulheres sedentárias podem ter até 4,5 X mais chances de terem bebes prematuros do que mulheres fisicamente ativas. Os resultados destas pesquisas mostram que a rotina de treinamento físico, especialmente nos dois primeiros trimestres, esteve associada efetivamente ao menor risco de cesáreas. Os exercícios físicos também são responsáveis por promover maior flexibilidade nas articulações e ligamentos pélvicos, junto com o aumento do estrogênio contribuirão para o relaxamento muscular, suavizando as cartilagens e aumentando o fluído sinovial com resultados no alargamento das juntas, facilitando a passagem do feto.  Segundo Batista e colaboradores em artigo publicado na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, “a atividade física durante a gestação diminui as dores do parto, contribuindo para que as gestantes fisicamente ativas tolerem melhor o trabalho de parto, principalmente os mais prolongados, do que aquelas não treinadas ou do que aquelas que se exercitavam apenas esporadicamente”.