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Álcool atrapalha os resultados da musculação?

A atividade física é um excelente aliado na busca de saúde e bem estar. A prática de exercícios diários pode prevenir uma quantidade muito grande de doenças e condições patológicas.  Segundo as orientações do colégio americano de medicina esportiva e a associação americana do coração, a realização de 30 minutos de exercício aeróbio contínuo ou acumulado (3 x 10 minutos ou 2 x 15 minutos) cinco vezes por semana já é considerado suficiente para que o indivíduo seja considerado fisicamente ativo. Ao sair da inatividade física o indivíduo pode reduzir o risco de desenvolver doenças cardíacas (o indivíduo passa a ter menor chance de desenvolver doenças do coração), controle do sobrepeso corporal ou a obesidade, a hipertensão arterial sistêmica, diminuir o estresse, aumentar o colesterol bom (HDL) e favorece o controle de açúcar no sangue. Quanto maior for frequência e tempo de prática da atividade maior serão os benefícios ao organismo.

Nos dias de hoje existe uma linha tênue que divide indivíduos praticantes de atividade física amadores de atletas profissionais, na verdade nos dias de hoje as pessoas desejam ter desempenho atlético semelhante ao de atletas profissionais, cultuam e buscam físicos semelhantes ao de atletas e na busca por esta condição compartilham dos mesmos artifícios que os atletas possuem.  É cada vez maior o número de pessoas não atletas que buscam recursos para melhoria dos resultados, este público tem consumido mais equipamentos esportivos específicos, maior quantidade e variedade de suplementos alimentares assim como medicamentos, indivíduos não atletas têm buscado cada vez mais acompanhamento profissional de nutricionistas, professores de educação física e médicos voltados à prática esportiva, tudo em busca de melhores resultados, maior rendimento físico e mudanças no físico.

Existe uma grande diferença entre atletas profissionais e indivíduos normais praticantes de atividade física, o nível de comprometimento dos profissionais com a rotina de treino, dieta e descanso.  Costumo dizer para meus pacientes em consultório que atleta vive para treinar, comer e descansar, enquanto nós reles mortais (esportistas) temos compromissos variados como trabalho, estudo, família, lazer e ai destinamos atenção ao treino, dieta e descanso. É neste momento que começam as frustrações, acontece que é muito grande o número de indivíduos normais que consome bebida alcoólica em momentos de lazer, explico para os indivíduos que o etilismo por sua vez é um dos grandes vilões na vida de quem deseja desempenho físico e mudanças significativas no físico, em resumo: “atleta não enche a cara, atleta não consome álcool!”

O fato é que o consumo de álcool pode não influenciar no desempenho esportivo, mas desde que seja leve. O mesmo não se pode dizer da forma física, de fato o álcool por si fornece grande quantidade de calorias, porém não fornece nutrientes como proteínas, vitaminas ou minerais, esta característica define as calorias do álcool como “calorias vazias”. Cada grama de álcool puro fornece 7 calorias, mas ninguém consome só álcool, ele sempre está vinculado a outros ingredientes de acordo com o tipo da bebida. Por exemplo, a cerveja possui carboidratos dos cereais, os destilados muito frequentemente são consumidos com refrigerantes, bebidas energéticas ou sucos. Ao somar as calorias de uma lata de cerveja teremos quantidade de calorias próximas à uma barra de 30g de chocolate ou a 1 unidade de pão francês. Mesmo sendo fonte de energia o álcool durante o exercício não é utilizado como principal fonte energética.

No ano de 1982, o American College of Sports Medicine – ACSM (importante órgão de pesquisa no âmbito esportivo) informou seu posicionamento oficial:

  1. A ingestão aguda de álcool pode exercer efeito deletério sobre uma série de habilidades psicomotoras, tais como tempo de reação, coordenação mão-olhos, precisão, equilíbrio e coordenação motora para movimentos complexos.
  2. A ingestão aguda de álcool não influencia de forma importante as funções metabólicas ou fisiológicas essenciais para o desempenho físico, como o metabolismo energético, o consumo máximo de oxigênio (O2 máx), a freqüência cardíaca, o volume sistólico, o débito cardíaco, o fluxo sanguíneo muscular, a diferença arteriovenosa de oxigênio ou a dinâmica respiratória. O consumo de álcool pode prejudicar a regulação da temperatura corporal durante exercício prolongado em ambiente frio.
  3. A ingestão aguda de álcool não melhora – podendo inclusive piorar – a força, a potência, a endurance muscular, a velocidade e a endurance cardiovascular.
  4. O álcool é a droga mais utilizada nos Estados Unidos e é um importante fator que contribui para a ocorrência de acidentes. Há também ampla documentação científica demonstrando que consumo excessivo e prolongado de álcool pode produzir alterações patológicas no fígado, coração, cérebro e músculos, o que pode levar a incapacidade e morte.
  5. Esforços sérios e contínuos devem ser realizados no sentido de educar atletas, técnicos, professores de educação física, médicos, preparadores físicos, a mídia e o público em geral, em relação aos efeitos da ingestão aguda de álcool sobre o desempenho humano e acerca dos problemas potenciais agudos e crônicos causados por consumo excessivo de álcool.

Referencia:
The Use of Alcohol in Sports (Med Sci Sports Exerc 1982;14(6):ix-xi.

Tais itens informam que a ingestão aguda de álcool pode exercer efeito prejudicial em grande variedade de habilidades psicomotoras como no tempo de reação, equilíbrio, estabilidade, precisão e coordenação complexa. O consumo de álcool pode ainda prejudicar a regulação da temperatura corporal durante o exercício prolongado em ambientes frios, podendo também diminuir força resistência muscular, velocidade e resistência cardiovascular. Essas reações variam não só de indivíduo para indivíduo, mas também de acordo com as circunstâncias em que a bebida é ingerida. Nos dias de hoje temos um consenso de que o álcool é um depressor do sistema nervoso central e de que seu abuso prejudica as habilidades psicomotoras dos indivíduos.

Apesar desta opinião compartilhada por inúmeros profissionais da saúde houve estudos que indicaram o contrário, alguns estudos provaram que, na maioria das vezes mesmo com as dosagens mais altas, aspectos como batimentos cardíacos, rendimento cardíaco, VO2 máximo, pressão arterial, ventilação, concentração de lactato, capacidade de trabalho, fluxo sangüíneo muscular, diferença de oxigenação arteriovenosa e metabolismo energético não foram alteradas pelo consumo de álcool, ou seja, não houve queda no rendimento físico. No entanto, o tempo de reação aumentou na maioria das pesquisas. Já em estudos sobre a “ressaca”, a capacidade aeróbia sofreu queda com a ingestão de quaisquer dosagens. Entretanto, a capacidade anaeróbia permaneceu inalterada.

Segundo Tinucci e Santos (2004) o consumo de álcool associado ao esporte existiu, existe e, por mais que medidas sejam tomadas, sempre existirá. O mais importante é que as pessoas estejam sempre informadas quanto a seus efeitos, riscos e benefícios, para que possam optar em consumir, ou não, esse tipo de bebida.